domingo, 6 de junho de 2010

JESUS CURA CEGO DE NASCENÇA


Na saída da cidade santa encontrava-se um cego.
Perguntaram os discípulos:
- Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego? Ele ou seus pais?
Como podemos observar, os apóstolos:
- Conheciam o homem.
- Sabiam que nasceu cego.
- Admitiam existir males resultantes do pecado.
- Aceitavam a preexistência da alma.
- Concebiam a possibilidade de estar pagando por faltas de vida anterior.
Não tinham uma visão bem definida dos mecanismos da justiça divina.
Estavam imbuídos das concepções mosaicas. No primeiro mandamento da Tábua da Lei está registrado que Jeová pune a iniqüidade dos pais nos filhos, até a quarta geração.
Responde Jesus:
- Nem ele pecou, nem seus pais. Isso aconteceu para que nele se manifestem as obras de Deus.
Evidentemente que o Mestre também admitia o princípio das vidas sucessivas. Senão ele teria dito:
- Vocês estão equivocados. Não existe essa história de voltar a carne. Ninguém reencarna.Sua informação pode soar estranha. Aprendemos com a Doutrina Espírita que ninguém paga senão o que deve. Se aquele homem nasceu cego, tinha comprometimentos que justificavam tal sofrimento. Pecou.
Regra geral, sim, mas é preciso avançar um pouco na problemática do resgate. Espíritos atrasados, ou de mediana evolução, tem a reencarnação planejada por mentores espirituais, passando por experiências que lhes são impostas, sofrimentos relacionados com seus comprometimentos do passado. Reencarnam em expiação.
Os Espíritos mais evoluídos também passam por experiências difíceis, atendendo suas necessidades evolutivas, com uma diferença – eles próprios fazem o planejamento, conscientes de suas responsabilidades. Reencarnam em provação.
Esta seria a posição daquele homem cego. Não nasceu privado da visão por imposição cármica. Não era indispensável que nascesse com essa deficiência. Poderia trilhar caminhos mais suaves. Foi escolha sua, por entender que a cegueira lhe seria sumamente proveitosa, ampliando suas experiências, favorecendo seu crescimento espiritual.
Que pai poria, desde o nascimento, uma mordaça nos olhos de seu filho, providenciando para que alguém a retirasse na idade adulta, em seu nome, a fim de que o filho lhe exaltasse o suposto poder de fazer-lo enxergar?
Portanto, a obra divina a se manifestar nele não se relaciona com a visão recuperada, mas sim, ao espalhar o ocorrido com seu testemunho.
Então, Jesus, com sua própria saliva misturada com terra, preparou uma massa que aplicou nos olhos do cego. Em seguida recomendou-lhe:
- Vai lavar-te no tanque de Siloé.
Cercado de curiosos, o cego foi até lá e se lavou. Ao abrir os olhos, alegria suprema – enxergava!
Ágil como nunca, movimentava-se pela vizinhança. As pessoas admiravam sua desenvoltura.
- Mas será este o cego que mendigava?
Eufórico confirmava:
- Sou eu!
- Como te foram abertos os olhos?
- O homem chamado Jesus fez lama, ungiu-me sobre os olhos e disse-me: “vai ao tanque de Siloé e lava-te”; então fui, lavei-me e pude ver!
- Onde está ele?
- Não sei . . .
O cego foi levado aos fariseus, que também lhe perguntaram como adquirira o dom da visão:
- Ele aplicou lama em meus olhos, lavei-me e vejo.
Alguns deles, preconceituosos, presos à letra da lei que proibia curar no dia consagrado ao Senhor, contestaram:
- Não deve ser homem de Deus, porque não observa o sábado.
Outros, mais ponderados, diziam:
- Como pode um homem errado produzir semelhantes sinais?
Perguntaram ao ex-cego:
- E tu, que dizes dele?
- É um profeta.

Os fariseus não se convenceram. Mandaram chamar seus pais.
- É este que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, agora está vendo?
- Como enxerga agora não sabemos. Interrogai-o. Já tem bastante idade para falar por si mesmo.

O ex-cego foi novamente interrogado.
- Dá glória a Deus (equivalia a “fala a verdade, sob juramento”). Sabemos que esse homem é pecador.
- Bem, se é pecador não sei. Uma coisa sei. Eu era cego e agora vejo.
- Que te fez? Como te abriu os olhos?

- Já vos disse e não ouvistes. Por que quereis ouvir novamente? Acaso estais interessados em serdes seus discípulos?
Os fariseus se irritaram:
- Tu és discípulo dele. Somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés e a nenhum outro. Nem conhecemos o homem de que nos falas.Resoluto, o ex-cego enfrentou seus inquisidores:
- Nisto está o admirável. Que não saibais quem ele é, donde vem. No entanto, ele abriu meus olhos. Sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas se alguém for reverente e fizer sua vontade, este ele ouve. Jamais se ouviu dizer que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este homem não fosse de Deus, nada poderia fazer.
A coragem daquele ex-cego, enfrentando a intolerância dos fariseus e a possibilidade de represálias, foi a gloriosa obra divina a que se referiu Jesus.
Deus fala sempre por intermédio daqueles que defendem o Bem e a Verdade, trabalhando por um mundo melhor.
A cegueira de nascença era apenas um detalhe, relacionado com suas motivações ao reencarnar. Certamente haveria de dar outros testemunhos, na vivência de sagrados ideais.
Muitos, como ele, enfrentariam perseguições e zombarias, por causa de Jesus.
Pior: seriam conduzidos às feras famintas e transformados em tochas vivas, não por débitos acumulados, mas como glorioso testemunho de suas convicções, ajudando na sedimentação da mensagem cristã.
Deus estava presente em seus heróicos testemunhos, defendendo a obra gloriosa do Bem, que, aparentemente derrotado, ressurge, em cada discípulo do cristo capaz de renunciar a si mesmo em favor de um mundo melhor.
Irritados com aquele homem que ousava contesta-los, os fariseus verberaram.
- Ora, tu és nascido todo em pecados e queres nos ensinar!
Observemos: os membros da proeminente seita judaica também admitiam que a cegueira de nascença está relacionada com as existências anteriores.

Não podemos deixar de comparar este episódio de cura com o Espiritismo. Que trata de males do corpo e da alma.
Muitos procuram os Centros Espíritas e são curados. Raros têm a coragem de proclamar a origem da cura.










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