terça-feira, 20 de abril de 2010

PRETO VELHO, ÍNDIOS E CABOCLOS NA VISÃO ESPÍRITA

Pretos velhos, índios e caboclos são realmente como se
apresentam?
Therezinha Oliveira - Uma vez desencarnado, o espírito não mais pertence a qualquer das raças humanas terrenas. Não tendo mais corpo físico, o espírito não é amarelo nem negro ou branco. O espírito poderá apresentar em seu perispírito (corpo espiritual) características de alguma raça, se ainda se sentir assim, ou assim se mentalizar.

Devemos acolhê-los ou não em nossas reuniões mediúnicas?
Therezinha Oliveira - Devemos acolher fraternalmente, sem qualquer intolerância ou preconceito, todos os espíritos manifestantes, porque é com a permissão de lei divinas que eles vêm às nossas reuniões.Analisemos, porém, sua natureza e o conteúdo de suas comunicações, como devemos fazer com qualquer espírito que entre nós se manifeste. Pois, esses espíritos, para se comunicarem mediunicamente, não precisariam usar de um linguajar estranho aos médiuns e aos participantes da reunião.
Como atendê-los?
Resp.: 1) Se o espírito adota essa aparência ou linguajar momentaneamente, porque assim era conhecido na existência terrena e que comprovar sua individualidade?
A manifestação estará justificada, caso haja quem o possa reconhecer e identificar.
2) Se o espírito se apresenta desse modo porque ainda se sente nas condições em que vivia na sua última encarnação?
Procurar ajudá-lo a se liberar desse indesejável condicionamento:
- esclarecê-lo quanto à sua real natureza de espírito;
- lembrar-lhe que já teve muitas outras existências e em diferentes condições e, portanto, tem um patrimônio espiritual mais amplo;
- mostrar-lhe que não precisa ficar fixado nas condições da existência que findou e que na vida espiritual pode continuar progredindo (inclusive no modo falar).
3) Se o espírito diz que se apresenta assim, porque essa encarnação lhe foi muito grata por lhe haver permitido adquirir virtudes, especialmente e humildade (por não se rebelar nem odiar ante o domínio injusto que sofreu), e o deseja exemplificar?
Dizer que entendemos o seu propósito mas que a humildade não consiste em aparências exteriores nem em atitudes servis; ser humilde é não se considerar melhor ou mais merecedor que os outros, não se colocar jamais acima de ninguém.
4) Se o espírito finge essa aparência e linguajar com o objetivo de nos iludir e perturbar?
Advertir, alertar para a responsabilidade pelos seus atos;
Se não atender, usar de firmeza para que se afaste, rogando, se necessário, o amparo dos dirigentes espirituais.

Por que há tantos espíritos que se apresentam dessa maneira no Brasil?
Therezinha Oliveira- Pretos-velhos, índios e caboclos são figuras apreciadas na cultura popular brasileira e a Umbanda, em que a manifestação de espíritos que assim se apresentam é bem aceita e até estimulada, mais incentivou a crença neles. Muitas pessoas supõem que pretos-velhos, índios e caboclos sejam inferiores e estejam, ainda, numa condição de serviçais, para lhes atenderem aos pedidos. Outras acreditam que eles tenham poderes misteriosos, capazes de resolver de modo mágico os problemas dos consulentes. Parecem, também, julgá-los venais, já que aceitariam agir em troca de algum “pagamento” ou compensação. Evocação por rituais específicos convidam e condicionam certos espíritos a se apresentarem como preto-velhos, índios ou caboclos. E muitos espíritos, às vezes até os benévolos, assumem essa aparência porque sabem que, assim, as pessoas do meio em que se vão manifestar aceitarão mais facilmente a sua presença e mensagem.Se não oferecermos esse condicionamento, muitos espíritos deixarão de se apresentar assim, passando a se comunicarem em seu modo próprio e natural.

Divaldo Franco disse: "...Muitos acham que os pretos-velhos são mais fortes. Acreditam que as coisas que os guias não fazem eles fazem. Quer dizer que nós deixamos para eles a tarefa do lixo? E existe lixo no mundo espiritual?......."

Não seria para comprovar a identidade deles que falam assim?
Therezinha Oliveira- Estudiosos da cultura africana, indígena e cabocla, analisando-lhes a linguagem, usada quando se comunicam nas reuniões mediúnicas, tiram alertadoras conclusões: 1) A fala de pretos velhos não costuma corresponder aos diletos africanos, mesmo levando-se em conta a mescla com o idioma português. É mais uma algaravia (confusão de vozes) sem significado ou ligação com o que os africanos falavam;
2) Índios brasileiros não poderiam jamais se denominarem “Caboclos 7 Flexas” (não tinham noção de número além dos cinco dedos da mão, nem contavam um, dois, tres, quatro e cinco mas chê po = minha mão). Também não se denominariam “Flecha Ligeira”, “Nuvem Branca” etc., como o fazem os índios norte-americanos, os quais o cinema vulgarizou entre nós. (Mediunismo e Antroponomia, Sylvio Ourique Fragoso, Revista Internacional de Espiritismo, setembro/1981).

Um verdadeiro preto ou preta velha pode ser guia espiritual?
Therezinha Oliveira - SIM, se por suas palavras e atos mostrar que é digno desse título, que tem conhecimentos superiores para nos orientar e verdadeiro amor para nos exemplificar. NÃO, se demonstrar pouca evolução espiritual e muito apego ainda às sensações materiais (como o fumar e o beber, por exemplo).
OBSERVAÇÃO: A maioria das comunicações de pretos-velhos como guias espirituais não passa de fruto da sugestão, do animismo, fraudes e mistificações.Houve, certamente, bons espíritos que se encarnaram entre os escravos para liderarem aquele povo sofrido, de modo sábio e amoroso, durante o seu cativeiro.
Alguns deles, depois de desencarnados, talvez tenham podido voltar à retaguarda terrena, por amor aos próprio crescimento espiritual no serviço do bem.
Mas não devem ter sido muitos, pelo contrário, serão bem poucos, porque a maioria dos africanos escravos eram como nós: espíritos de mediana ou pouca evolução.
Será que, arrancados de seu país e de seu lar, privados da liberdade, agredidos cruel e impiedosamente anos a fio, foram capazes de se resignarem e sublimarem os sentimentos em relação aos seus senhores e algozes?
Pouquíssimos espíritos terão, nessas expiações e provas, triunfado desse tão duro, embora todas tenham tido ensejo de algum aprimoramento intelecto-moral. Entretanto, aí estão incontáveis espíritos de pretensos pretos e pretas-velhas, a se comunicarem e querendo assumir a posição de orientadores espirituais da humanidade, sem demonstrarem condições para tanto.

Do livro: Reuniões Mediúnicas
De: Therezinha Oliveira



Por que é que, comumente, não vemos comunicações de pretos velhos ou de caboclos, nas sessões mediúnicas espíritas? Isso se deve a algum tipo de preconceito?

J.Raul Teixeira
– A expressão da pergunta está bem a calhar. Realmente, a maioria dos participantes não vê os espíritos que se comunicam, mas eles se comunicam. O Espiritismo não tem compromisso de destacar essa ou aquela entidade, em particular. Se as sessões mediúnicas espíritas são abertas para o atendimento de todo os tipos de espíritos, por que não viriam os que ainda se apresentam como preto-velhos ou novos, brancos, amarelos, vermelhos, índios, ou caboclos, e esquimós?
O que ocorre é que tais espíritos devem ajustar-se às disciplinas sugeridas pelo Espiritismo e só não as atendem quando seus médiuns, igualmente, não as aceitam.
Muitos espíritos que se mostram no além como antigos escravos africanos, ou como indígenas, falam normalmente, sem trejeitos, embora as formas externas dos perispíritos possam manter as características que eles desejam ou as quais não lograram desfazer.
Talvez muitos esperassem que esses desencarnados se expressassem de forma confusa, misturando a língua portuguesa com outros sons, expressando-se num dialeto impenetrável, carecendo de intérpretes especiais, que, na maioria parte das vezes, fazem de conta que estão entendendo tal mescla. Se o espírito fala em nagô, que seja nagô de verdade. Se se apresenta falando guarani, que seja o verdadeiro guarani. Entretanto, não sendo o idioma exato do seu passado reencarnatório, por que não falar o médium em português, pois que capta o pensamento da entidade e reveste-o com palavras?
Não há portanto, preconceito nas sessões espíritas. Entretanto, procura-se manter o respeito às entidades, à mediunidade e à Doutrina Espírita, buscando a coerência com a Verdade que já identificamos.

Do livro: Diretrizes de Segurança


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