terça-feira, 14 de dezembro de 2010

GANDHI E O VIAJANTE - estória para reflexão


Canta-se que Gandhi, sempre que viajava de trem pela Índia, comprava passagem de terceira classe. Ali os passageiros, não cultivavam hábitos de higiene, nem de boas maneiras.

Certa ocasião, quando empreendia uma das suas viagens, ele chamou a atenção de um rapaz que viajava junto a ele no mesmo vagão, porque de quando em quando cuspia no chão. Diante da advertência recebida, o moço respondeu indelicadamente e repetiu várias outras vezes o gesto. Gandhi calou-se.

Depois de um bom tempo de viagem, o rapaz pegou no seu violão, e começou a tocar e cantar músicas que exaltavam o grande líder e herói GANDHI.

Quando, finalmente, o trem parou na estação desejada, Gandhi levantou-se preparando-se para descer. O jovem, que também ficaria ali, juntou suas coisas para sair. Na estação, ele percebeu que alguém de certa importância e grande respeito estaria chegando, porque havia uma enorme recepção organizada com músicas instrumentais, fogos de artifício e discurso. Parou para ver . . . Era Gandhi quem chegava . . .

Ele então, juntou-se a multidão para recepcionar o ídolo. Só quando avistou o homenageado, é que se deu conta que o passageiro a quem havia respondido de maneira tão descortês e insolente, era exatamente aquele que havia enaltecido com tanta veemência através das suas canções. Ele não conhecia Gandhi, mas certamente entendeu que para ele, de nada significaram suas músicas e cântico.

Essa experiência pode muito bem ser aplicada em relação a Deus.

Pois, muitos procuram apresentar-Lhe honra e louvor superficiais, “honram-Lhe com os lábios; e o coração, porém, está longe Dele.”


“Os templos, as igrejas e centros espíritas estão lotados, mas poucos, muito poucos, compreendem e praticam o que se estuda e se ouve, enquanto fora dos círculos religiosos encontramos muitas almas que praticam a reforma íntima trabalhando anonimamente pelo bem e pela caridade.”

(Padre Vítor)


Observação: Podemos seguir qualquer religião e seus cultos exteriores, mas não nos esqueçamos da reforma íntima, educando nossos instintos inferiores, e revendo nossos valores.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"EVANGELIZAÇÃO", OBRIGAR OU NÃO? - Divaldo Franco


Resposta: Temos ouvido alguns confrades afirmarem: “Eu não forço os meus filhos, para a evangelização espírita, porque eu sou liberal.” Ao que poderia ajuntar: “Porque não tenho força moral.” Se o filho está doente, ele o força a tomar remédios; se o filho não quer ir à escola, ele o força. Isto porque acredita no remédio e na educação. Mas não crê na religião. Quando afirma: “Vou deixá-lo crescer, depois ele escolherá.” Para mim representa o mesmo que o deixar contaminar-se pelo tétano ou outra enfermidade, para depois aplicar o remédio, elucidando: “Você viu que não deve pisar em prego enferrujado? Agora, irei medicá-lo.” Ou tuberculoso, falar-lhe dos preceitos da higiene e da saúde.
Se nós damos a melhor alimentação, o melhor vestuário, o melhor colégio, dentro das nossas possibilidades, aos filhos, porque não lhes damos a melhor religião, que é aquela que já elegemos? Que os filhos, quando crescerem, larguem-na, que optem depois. Cumpre aos pais o dever de dar o que há de melhor. Se eles encontraram, no Espiritismo, a diretriz de libertação, eis o melhor para dar e não deixar a criança escolher, porque esta ainda não sabe discernir. Vamos orientá-los. Vamos “forçá-los”, entre aspas, motivando-os, levando-os, provando em casa, pelo nosso exemplo, que o Espiritismo é o que há de melhor. Não, como fazem muitos: obrigam os filhos irem à evangelização e, em casa, não mantém uma atitude espírita. É natural que os filhos recalcitrem, porque vêem que tal não adianta, pois que os pais são espíritas, mas em casa, decepcionam.
Se, todavia, os pais são espíritas em casa, eles irão, felizes, às aulas de evangelização e de juventude, porque estão impregnados do exemplo.

Retirado do blog http://mocidadeallankardec.blogspot.com

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O LADO OCULTO - estória para reflexão


Silas realiza uma “tournée” de palestras espíritas. Estivera ausente 10 dias. Expositor brilhante, encantava platéias que lotavam os Centros Espíritas por onde passava.

Mais do que a palavra, as pessoas que privavam de sua companhia impressionavam-se com seu comportamento. Somente muito calmo e afável, a todos atendia, imperturbável, mesmo quando abordado por companheiros inoportunos que abusavam de sua boa vontade.

As pessoas que o acolhiam encantavam-se com sua tranqüilidade. Se o almoço atrasava, se as crianças perturbavam, se ocorriam pequenos incidentes, tudo era relevado por ele com palavras de compreensão.

“SEJA TUDO PELA EDIFICAÇÃO” – proclamava, sereno, lembrando o apóstolo Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios.

Cumprido o roteiro, regressou, finalmente, viajando 10 horas, estrada ruim, ônibus desconfortável, percalços que suportou com resignação, “TUDO PELA EDIFICAÇÃO.”

Descendo na estação rodoviária, estranhou a ausência de sua esposa, a quem avisara quanto ao horário de chegada. Os minutos escoavam-se com lentidão da impaciência. Parecia horas! Silas nervoso, pensava:

- Que falta de consideração! Não poderia antecipar-se ao ônibus?

Finalmente ela chega. Beijaram-se. Ele, sisudo; ela, expansiva, a explicar que houvera um problema no trânsito. Não a deixou concluir. “Soltou os cachorros”, diante da mulher atônita, verberando o atraso. Entrou no automóvel e regressou, amuado, ao lar.

Após enfrentar, valoroso e disciplinado, 10 dias de excursão e 10 horas em desconfortável viagem de regresso, Silas não se conformou em esperar 10 minutos por sua esposa . . .

(Richard Simonetti)

Com um pouco de disciplina é possível exercitar comportamento moderado na vida em sociedade, com valores de tolerância e paciência, em favor da EDIFICAÇÃO.

O teste difícil está no lar, onde, sem o verniz social, se desnuda o lado oculto de nossa personalidade, mostrando facetas nada edificantes.

domingo, 28 de novembro de 2010

IDOLATRIA NA VISÃO ESPÍRITA


 
“Não vos façais, pois, idólatras”
Paulo, I Coríntios, 10:7

Os Judeus, saindo da dominação egípcia, um povo idólatra, tinham muita tendência à idolatria. Basta ver o que aconteceu quando Moisés desceu do Monte Sinai com as Tábuas da Lei e encontrou o povo adorando o "BEZERRO DE OURO" como se ele fosse uma divindade, um amuleto. Indignado, matou 3 mil homens, contrariando um dos mandamentos da lei das tábuas: ‘Não matarás.” Mas o mesmo “Deus”, que proíbe que sejam feitas imagens, manda Moisés fazer dois querubins de ouro e colocá-los por cima da Arca da Aliança (Ex 25, 18-20). Manda-lhe, também, fazer uma serpente de bronze e colocá-la por cima de uma haste, para curar os mordidos pelas serpentes venenosas (Num 21, 8-9). Manda, ainda, Salomão enfeitar o templo de Jerusalém com imagens de querubins, palmas, flores, bois e leões (I Reis 6, 23-35 e 7, 29). Não é um incentivo a idolatria?
Os espíritas não adotam imagens, mas entendem que idolatria não é simplesmente adorar imagens de pedra, madeira, gesso, ouro, etc., mas qualquer coisa material. Por exemplo: há sim, quem idolatre "santos", "imagens" com interesse em fazer pedidos, sem buscar seguir seus exemplos de vida e pedidos; mas, há também, quem diga não ter tempo e dinheiro para dispensar à caridade, mas dispensam tempos e dinheiro iguais ou maiores para idolatrar cantores, atores, jogos, festas, etc.; há quem idolatre time de futebol a ponto de reagir violentamente aos que torcem para outros times; há quem idolatre a religião chegando a causar brigas, desentendimentos, inimizades e até guerras contrariando os preceitos morais pregados por ela; há quem reaja a um assalto, com intenção de matar ou morrer, por idolatrar bens materiais; há quem comete adultério escondido do(a) cônjuge ou com a conivência dele(a), em trocas de casais, etc., alegando “apimentar o relacionamento” por idolatrar o sexo; há quem idolatre o dinheiro, o ouro, a fama, etc., de tal forma que, muitas vezes, procuram alcançar o objetivo de maneira ilícita, indígna, imoral, etc.; há quem idolatre pessoas (político, de posição social abastada, etc.), por interesse pessoal; há espírita que alega várias desculpas para faltar uma palestra em sua cidade de um orador desconhecido, mas anda quilômetros e quilômetros em excursão, pagam estadia em hotel, para assistir aquele orador conhecido ou aquele médium “que faz cura” ou coisas relacionadas a fenômenos; há médiuns aceitando a idolatria e impedindo assim, a comunicação com os amigos do bem, no plano espiritual; há espíritas que querem ser idolatrados porque idolatra a vaidade; há espíritas idolatrando cargos e esquecendo os encargos; há quem desrespeite seu corpo físico, contrariando a saúde física, por idolatrar bebida alcoólica, cigarro, drogas em geral, excesso de alimentos. Como vemos, há vários tipos de idolatria. Quando apontamos um idolatra por "imagens", não nos damos conta que também somos idolatras de outras coisas que atrapalham nossa evolução espiritual.
Como disse Emmanuel: “É indispensável evitar a idolatria em todas as circunstâncias. Suas manifestações sempre representaram sérios perigos para a vida espiritual.”
 
Texto de Rudymara
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O CENTRO ESPÍRITA "FORTE" - Richard Simonetti


Um freqüentador da Casa Espírita, chegou ao dirigente da Casa e disse:

- Senhor Fabrício, há várias semanas venho comparecendo às reuniões de assistência espiritual, segundo suas recomendações e, até o momento, não experimentei nenhuma melhora. Continuo com a enxaqueca de sempre, acompanhada de insuperável angústia e incômodos desajustes digestivos . . .

Respondeu o dirigente:

- Meu irmão, é assim mesmo. Como venho lhe explicando, você está sob a ação de um obsessor do passado. É preciso dar tempo ao tempo . . .

Reclama o freqüentador:

- Mas, senhor Fabrício, informaram-me que este é um "centro forte". Que mentores poderosos trabalham aqui. Eles poderiam resolver minha situação rapidamente . . .

- Em qualquer agrupamento onde se procure observar a orientação espírita e as lições de Jesus, há benfeitores espirituais agindo em nosso benefício. Ocorre que a solução de nossos problemas não depende tanto da ajuda do céu; é necessário a boa vontade dos interessados da Terra. Não basta receber ajuda dos Espíritos, os benefícios do "passe" ou o conforto da mensagem espírita cristã. É preciso cultivar a oração, disciplinar as emoções, superar irritações e ressentimentos e, sobretudo, exercitar o Bem. O esforço da caridade é recurso fundamental para libertar-se do obsessor. A caridade que você praticar, poderá sensibilizar o obsessor, fazendo com que ele desista de sua má intenção.

O cavalheiro concorda sem convencer-se. E diz:

- Sim, sim. Mas o senhor há de convir que com as dificuldades que venho enfrentando é impossível seguir esta orientação!

- Realmente, não é fácil, nem tanto em virtude de seu estado, mas muito mais porque esta tentativa exige uma mudança radical em sua vida, levando-o a esquecer um pouco a busca pelas coisas passageiras da Terra para buscar coisas que serão para a Vida Eterna. Raros se dispõem a essa "guinada existencial".

Desanimado o freqüentador pergunta:

- Quer dizer que não há outro caminho?

Concluiu Fabrício:

- Penso que não. O próprio Cristo alertou-nos sobre este assunto quando falou sobre a porta estreita . . .

O freqüentador informou:

- Pois bem, seguirei sua orientação . . .

O cavalheiro freqüentador da Casa Espírita despediu-se e partiu. Nunca mais voltou! Seguiu em frente, à procura de um "centro forte" . . .

Muitos enxergam o Centro Espírita como um mero recurso de cura para males corporais e espirituais, cuja eficiência está subordinada à "força" de seus dirigentes e guias.

Fazem "via sacra" nos agrupamentos espiritistas, sem aprender a lição fundamental: a cura de seus males está subordinada, essencialmente, ao esforço de sua própria renovação.

(Richard Simonetti)

Como disse Bezerra de Menezes: O estudo da Doutrina faz adeptos conscientes para a Causa. Quem se aprofunda no conhecimento da Verdade solidifica a fé.”

Quem procurar o Espiritismo somente para obter cura imediata de seus males físicos e espirituais, ou para resolver de pronto seus problemas materiais, poderá ficar decepcionado.

Porque somente se realiza o que estiver dentro das leis divinas. E o Espiritismo não tem por finalidade principal a realização de fenômenos, mas, sim, o progresso moral da humanidade.

O Espiritismo esclarece que não retira problemas e dores do nosso caminho. Explica-nos o porquê das coisas e ensina-nos: como podemos melhorar a nós mesmo para gerarmos efeitos felizes; como prevenir e resolver problemas espirituais, desde que empreguemos vontade e esforço no sentido do Bem; ou ainda, como superar aquilo que, por ora, não pode ser mudado porque nos serve de expiação ou de prova.

sábado, 20 de novembro de 2010

QUEM FOI ZUMBI DOS PALMARES?


Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

O dia da consciência negra é comemorado dia 20 de novembro e foi escolhido por coincidir com o dia da morte de Zumbi , em 1695.

O próximo texto fala sobre o dia da consciência negra e a contribuição da doutrina espírita para a extinção dos preconceitos em geral.


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA



O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Apesar da várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que ele tinha escravos particulares). Esta data procura lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro (1594).

Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira. 
Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados hérois nacionais. 

O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos; até então, o movimento negro precisava se contentar com o dia 13 de Maio, Abolição da Escravatura – comemoração que tem sido rejeitada por enfatizar muitas vezes a "generosidade" da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração da atitude de uma branca. Eles queriam um líder negro na história.
Pergunto: Rejeitar a "generosidade" de uma branca não é preconceito por parte dos negros em relação aos brancos? Quem não quer ser discriminado, não deve discriminar. Senão, esta rivalidade não acabará nunca.
Alguns negros são contra o Dia da Consciência Negra, dizem eles: "não precisamos de um dia da consciência negra, branca, parda, amarela, albina... Precisamos de 365 dias de consciência humana!" Mas, esse dia foi criado para isso, para conscientizar pessoas de outras raças e preconceituosas a pensar e agir com respeito com os negros. É preciso que todos cedam. 

COMO A DOUTRINA ESPÍRITA PODE CONTRIBUIR COM O FIM DO PRECONCEITO?
A doutrina espírita contribui com a extinção dos preconceitos esclarecendo que a Lei Divina determinará implacavelmente que reencarnemos entre aqueles que discriminamos.
Há inúmeros relatos em obras mediúnicas, dando-nos notícias de fazendeiros que judiavam dos negros. Retornaram como escravos africanos.
Anti-semitas voltam como judeus para sentir na própria pele o que é esse preconceito.
Da mesma forma, judeus convictos de que pertencem a uma raça superior, escolhidos por Deus, ressurgem no seio dos povos que julgam inferiores.
Aprendemos com Jesus que o amor ao próximo equivale a amar a Deus.
Isso significa que é absolutamente impossível reverenciar o Criador discriminando suas criaturas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

MEIMEI - biografia


Homenageada por tantas casas espíritas, que adotam o seu nome; autora de vários livros psicografados por Chico Xavier, entre eles: "Pai Nosso", "Amizade", "Palavras do Coração", "Cartilha do bem", "Evangelho em Casa", "Deus Aguarda", "Mãe" etc... e, no entanto, tão pouco conhecida pelos testemunhos que teve de dar quando em vida, Irma de Castro - seu nome de batismo - foi um exemplo de resignação ante a dor, que lhe ceifou todos os prazeres que a vida poderia permitir a uma jovem cheia de sonhos e de esperanças. Meimei nasceu em 22 de outubro de 1922, na cidade de Mateus Leme - MG e transferiu residência para Belo Horizonte em 1934, onde conheceu Arnaldo Rocha, com quem se casou aos 22 anos de idade, tornando-se então, Irma de Castro Rocha. O casamento durou apenas dois anos, pois veio a falecer com 24 anos de idade, no dia 01 de Outubro de 1946, na cidade de Belo Horizonte-MG, por complicações generalizadas devidas a uma nefrite crônica.

A Origem da Doença

Durante toda a infância Meimei teve problemas em suas amígdalas. Tinha sua região glútea toda marcada por injeções. Logo após o casamento, voltou a apresentar o quadro, tendo que se submeter a uma cirurgia para extração dessas glândulas. Infelizmente, após a operação, um pequeno pedaço permaneceu em seu corpo, dando origem a todo o drama que viria a ter que enfrentar, pois o quadro complicou-se com perturbações renais que culminaram com hipertensão arterial e craniana.

O Sofrimento

Devido à hipertensão, passou a apresentar complicações oculares, perdendo progressivamente a visão e tendo que ficar dia e noite em um quarto escuro, sendo que nos dois últimos dias de vida já estava completamente cega. Durante os últimos dias de vida, o sofrimento aumentou. Tinha de fazer exames de urina, sangue e punções na medula, semanalmente. Segundo Arnaldo Rocha, seu marido, Meimei viveu esse período com muita resignação, humildade e paciência.

O Desencarne

Os momentos finais foram muito dolorosos. Seus pulmões não resistiram, apresentando um processo de edema agudo, fazendo com que ela emitisse sangue pela boca. Seus últimos trinta minutos de vida foram de desespero e aflição. Mas, no final deste quadro, com o encerramento da vida física, seu corpo voltou a apresentar a expressão de calma que sempre a caracterizou. Meimei foi enterrada no cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.

Surge Chico Xavier

Aproximadamente cinqüenta dias após a desencarnação da esposa, Arnaldo Rocha, profundamente abatido, acompanhado de seu irmão Orlando, que era espírita, descia a Av. Santos Dumont, em Belo Horizonte, quando avistou o médium Chico Xavier. Arnaldo não era espírita e nunca privara da companhia do médium até aquele momento. Quase dez anos atrás haviam-no apresentado a ele, muito rapidamente. Ele devia ter pouco mais de doze anos. O que aconteceu ali, naquele momento, mudou completamente sua vida. E é ele mesmo quem narra o ocorrido: "Chico olhou-me e disse: "Ora gente, é o nosso Arnaldo, está triste, magro, cheio de saudades da querida Meimei"... Afagando-me, com a ternura que lhe é própria, foi-me dizendo: "Deixe-me ver, meu filho, o retrato de nossa Meimei que você guarda na carteira." E, dessa forma, após olhar a foto que Arnaldo lhe apresentara, Chico lhe disse: - Nossa querida princesa Meimei quer muito lhe falar!"

E, naquela noite, em uma reunião realizada em casa de amigos espíritas de Belo Horizonte, Meimei deixou sua primeira mensagem psicografada. E, com o passar dos anos, Chico foi revelando aos amigos mais chegados que Meimei era a mesma Blandina, citada por André Luiz na obra "Entre a Terra e o Céu" (capítulos 9 e 10), que morava na cidade espiritual "Nosso Lar"; disse, também, que ela é a mesma Blandina, filha de Taciano e Helena, que Emmanuel descreve no romance "Ave Cristo", e que viveu no terceiro século depois de Jesus.

Enfim, para concluir, resta apenas dizer que "Meimei" era um apelido carinhoso que o casal Arnando-Irma passou a usar, após a leitura de um conto chamado "Um Momento em Pequim", de autor americano. Ambos passaram a se tratar dessa forma: "Meu Meimei". E, segundo Arnaldo, Chico não poderia saber disso.
(Meimei - expressão chinesa que significa "amor puro")

Materialização de Meimei

"Uma noite, sentimos um delicioso perfume. Intimamente, achei que era o mesmo que Meimei costumava usar. Surpreendi-me quando percebi que o corredor ia se iluminando aos poucos, como se alguém caminhasse por ele portando uma lanterna. Subitamente, a luminosidade extinguiu-se. Momentos depois, a sala iluminou-se novamente. No centro dela, havia como que uma estátua luminescente. Um véu cobria-lhe o rosto. Ergueu ambos os braços e, elegantemente, etereamente, o retirou, passando as mãos pela cabeça, fazendo cair uma cascata de lindos cabelos pretos, até a cintura. Era Meimei. Olhou-me, cumprimentou-me e dirigiu-se até onde eu estava sentado. Sua roupagem era de um tecido leve e transparente. Estava linda e donairosa! Levantei-me para abraçá-la e senti o bater de seu coração espiritual. Beijamo-nos fraternalmente e ela acariciou o meu rosto e brincou com minhas orelhas, como não podia deixar de ser. Ao elogiar sua beleza, a fragrância que emanava, a elegância dos trajes, em sua tênue feminilidade, disse-me: - "Ora, meu Meimei, aqui também nos preocupamos com a apresentação pessoal! A ajuda aos nossos semelhantes, o trabalho fraterno fazem-nos mais belos e, afinal de contas, eu sou uma mulher! Preparei-me para você, seu moço! Não iria gostar de uma Meimei feia!"

Texto de Arnaldo Rocha. Trecho do livro "Chico Xavier - Mandato de Amor