terça-feira, 18 de maio de 2010

É NA RELIGIÃO QUE OS HOMOSSEXUAIS SE SENTEM MAIS DISCRIMINADOS



Estudo é apresentado hoje, Dia Mundial da Luta contra a Homofobia.
O insulto é o principal ato de discriminação sentido pelos homossexuais em Portugal. É na religião que se sentem mais discriminados, mas dizem que a reprovação é generalizada. E, por isso, tendem a esconder a orientação sexual, mesmo que, para isso, tenham de se casar ou dizer que são casados.
José Leote, coordenador do Rumos Novos, grupo homossexual católico, faz uma distinção entre o que é percepção e realidade, sublinhando, no entanto, que o sentimento de rejeição não se aplica, apenas, ao catolicismo. "A maioria das religiões condena as práticas homossexuais e não aceita quem tenha essa orientação. A Igreja Católica faz um acolhimento, mas é um acolhimento não praticante. Se a pessoa tiver uma relação homossexual e viver em união de fato, são-lhe vedados todos os sacramentos", diz.
Além da religião, os homossexuais sentem-se mais discriminados pelas forças de segurança e pelos partidos políticos, no trabalho e no acesso ao emprego. Os amigos, os bancos, a saúde e a comunicação social são os sectores que menos discriminam.


SE DUAS PESSOAS DO MESMO SEXO PODEM SE COMPLEMENTAR PSIQUICAMENTE, COMO ENTENDER A QUESTÃO HOMOSSEXUAL À LUZ DO ESPIRITISMO?


RESPOSTA: Duas pessoas que apresentem a mesma morfologia biológica e que psiquicamente se complementam, podem torna-se íntimos e excelentes amigos, sem obrigatoriamente ser excelentes amantes, e aqui nos utilizamos do sentido trivial do termo. (...) No aspecto passional, não nos cabe julgar de nenhum modo o procedimento de quem quer que seja, uma vez que, como estabelece o brocardo popular: "todo corcunda sabe como se deita..." Importante é que saibamos que a lei de sociedade, que regula nossas relações sociais no mundo, está embasada na lei de amor, que, por seu turno, é a energia do Pai Criador fluindo pelos poros de nossa alma.
Lamentávelmente será adotar qualquer posição puritana - quando necessitamos estar na busca da veraz pureza - desejando determinar como é que as pessoas terão que viver, ou o que terão que fazer, o que é feio ou bonito, o que é certo ou errado, só para nos satisfazer o espírito policialesco da conduta alheia, como classificados "voyeurs" da intimidade dos outros, quando Jesus Cristo nos propõe o não julgueis.
Assim, se a complementação psíquica entre pessoas de diferentes ou de semelhantes morfologias biológicas servir de motivação para levá-las a relações passionais, e não só fraternais, cabe-nos a discrição e o respeito ao livre arbítrio alheio, por saber que a Deus cabe tomar contas das ações de todos nós.
Então, reconheçamos no criador a perfeita condição de cuidar das vidas dos Seus filhos, quando, na Terra, ainda faltam os valores da isenção e da harmonia espiritual para o trato dessa questão.


(Do livro: Desafios da vida familiar - pelo espírito Camilo - psicografia de Raul Teixeira)







segunda-feira, 17 de maio de 2010

PARÁBOLA O RICO E LÁZARO – contada por Jesus


Observação de Rudymara: Nesta parábola Jesus mostra que: 1º - não basta crer Nele, tem que seguir seus ensinamentos de caridade e amor, "a cada um segundo suas obras" ; 2º - sofrerá após a desencarnação aquele que sabe o que deve fazer e não faz, "muito será cobrado a quem muito foi dado"; 3º - a salvação não é por religião é pela pratica da caridade, "fora da caridade não há salvação"; 4º - que ninguém ficará dormindo após a desencarnação esperando o juizo final; 5º - só levamos após a desencarnação os bens espirituais, "ajuntai tesouro no céu onde a ferrugem e a traça não corroe e o ladrão não rouba"; 6º - que é possível os mortos (desencarnados) voltarem para falar com os vivos (encarnados), apesar de nem sempre ser necessário.


Jesus contou a seguinte parábola: "Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e que todos dias se banqueteava esplendidamente. E um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas, ficava deitado no seu portão, desejoso de fartar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Morreu o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No Hades, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lázaro no seu seio, e clamou: Pai Abraão, tem compaixão de mim! E manda a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo, e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Mas Abraão retrucou: filho, lembra-te que recebeste os teus bens na tua vida, e Lázaro do mesmo modo os males; agora, porém, ele está consolado, e tu, em tormentos. Demais, entre nós e vós, medeia um grande abismo, e de modo que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para nós. O rico replicou: Pai, eu te rogo, então, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para os avisar, a fim de não suceder virem eles parar neste lugar de tormento. Mas Abraão disse: Eles têm Moisés e os Profetas: ouçam-nos. Respondeu ele: Não, Pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de arrepender-se. Replicou-lhe Abraão: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que algum dos mortos ressuscite".

Abraão foi o Patriarca dos Hebreus, alta personagem do Antigo Testamento, em quem a fé mais se acrisolava, mais viva e rutila se mostrava, a ponto de não vacilar em sacrificar seu filho Isaac, para obedecer às ordens que havia recebido do Alto. Abraão era um crente sincero na Imortalidade: via o Espaço semeado de Espíritos, conversava com os Espíritos daqueles que nós chamamos, indevidamente, mortos, vivia em relações continuas com o Mundo dos Espíritos, que era o seu Seio predileto, que era o seu Paraíso, o seu Céu, a sua delicia, a sua felicidade.
O Hades eram as regiões infernais na Mitologia Grega, correspondente ao Tártaro dos romanos e equivalente ao Inferno aceito pelos católicos e protestantes. Não deve ser entendido como um "lugar", mas como um estado de espírito, isto é, um estado de profundo sofrimento. Quando se diz que o Espírito "entrou no Hades", isto quer dizer, figuradamente, que ele tomou conhecimento de si mesmo, viu-se na sua profunda miséria moral, cuja conseqüência é um indizível sofrimento e a impossibilidade de se aproximar dos Espíritos felizes.

Esta parábola narra a sorte de dois Espíritos após uma existência terrena, em que um escolhera a prova da riqueza, e o outro a da pobreza.
O primeiro, como em geral acontece a todos os ricos, esquecido das leis de amor e fraternidade que devem presidir às relações dos homens entre si, empregou seus haveres exclusivamente na ostentação, no luxo, no prazer pessoal, demonstrando-se insensível e indiferente à miséria e aos sofrimentos do próximo;
O segundo, faminto e doente, relegado ao mais completo abandono, suportou humildemente, sem revolta, as dores e privações que lhe martirizaram a existência.

Afinal, fazem a passagem para o outro lado da vida, onde a situação de ambos se modifica por completo.
O rico, porque vivera egoisticamente e fora desumano, deixando que um pobre enfermo passasse fome à porta de seu palácio, enquanto se regalava com opíparos jantares regados a vinhos e licores, começou a ser torturado por um profundo sentimento de culpa, enquanto Lázaro, por haver sofrido com paciência e resignação as agruras da vida misérrima que levara, gozava, agora, indizível ventura em elevado plano da espiritualidade.
Nessa conjuntura, suplica o rico seja permitido a Lázaro ir amenizar-lhe a sede que o atormenta. Evidentemente, sede de consolação, sede de misericórdia, pois, como Espírito, não iria sentir necessidade de água material.
É-lhe esclarecido, então, o porquê de seu atual padecer e o da felicidade de Lázaro, situação essa impossível de ser modificada de pronto, em virtude do "abismo" existente entre ambos. Como facilmente se percebe, também aqui não se trata de abismo físico, mas sim moral. Havendo triunfado em sua provação, Lázaro alcançara um estado de paz interior que o mau rico não poderia experimentar, e este, em razão de seu fracasso, sentia-se angustiado e abrasado de remorsos, coisas que o outro, logicamente, não poderia sentir, pois os estados de consciência são pessoais e impermutáveis.
Lembra-se o rico, então, de pedir fosse o espírito de Lázaro enviada à presença de seus irmãos para avisá-los do que lhe sucedera, a fim de se corrigirem a tempo e evitarem iguais padecimentos, post-mortem.
A negativa de Abraão, ao dizer: "Eles têm lá Moisés e os profetas: que os escutem", foi muito lógica, pois ninguém precisa de orientação particular para nortear sua conduta, quando já tenha conhecimento dos códigos morais vigentes.
O mau rico insiste, porém, no pedido em favor de seus irmãos, argumentando que, ante a manifestação de um morto, eles haveriam de penitenciar-se do personalismo egoísta que também os caracterizava.
Retruca Abraão, fazendo-o sentir a inutilidade dessa providência, pois se eles não praticavam os preceitos de solidariedade humana ensinados por Moisés e pelos profetas, cuja autoridade era reconhecida por todo o povo judeu, muito menos haveriam de ouvir e atender ao que lhes fosse dito pelo espírito de Lázaro.

Como se vê, esta parábola confirma plenamente dois pontos básicos da Doutrina Espírita:

Primeiro, o de que as penas ou recompensas futuras são consequentes aos feitos de cada um, e não baseadas em questões de fé, como se diz por aí.
Segundo, o de que as comunicações de além-túmulo são possíveis, fazendo parte da crença universal desde aqueles tempos, conquanto pudesse haver, como ainda hoje os há, incrédulos sistemáticos, que as neguem.

Rodolfo Calligaris







sábado, 15 de maio de 2010

JESUS FOI TENTADO OU TESTADO?

Evangelho de Mateus, capítulo 4: " 1 - Então, foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 - E, tento jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; 3 - E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. 4 - Ele, porém, respondendo, disse: Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. 5 - Então o diabo o transportou à cidade santa, e o colocou sobre o pináculo do templo. 6 - E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordem a teu respeito; e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. 7 - Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. 8 - Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. 9 - E disse-lhe: Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares. 10 - Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. 11 - Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviram. "

Os profetas do antigo testamento anunciavam a vinda do Filho de Deus. Então, todos esperavam ansiosos por sua chegada. E quando este chegou, todos o procuravam, desejando reconhece-lo por algum sinal maravilhoso por algum "milagre", por alguma obra capaz de os impressionar. Por isso, o "diabo" (um espírito) pediu que Jesus transformasse pedra em pão.
Certamente o Diabo não teve por fim tentar o Filho de Deus, mas, sim, reconhece-lo, embora os evangelistas pensassem que o objetivo do Diabo era fazer o Filho de Deus falhar com o dever.
Na vida popular de Jesus vemos que os "diabos" que representavam o governo, também pediam milagres, pediam sinais, para apreciarem melhor se, de fato, Jesus era o Messias; e aqueles que receberam provas demonstrativas de que Jesus, com efeito era o Cristo, se converteram. Vemos, por exemplo, a de Zaqueu; vamos dizer também a de Nicodemos e outras. Contudo, a maioria não teve senão provas morais, porque o Mestre não dava "nem um sinal" à geração perversa.
Jesus não podia ser tentado pelo Diabo, nem Deus podia submeter o Seu Eleito, o Seu Enviado, o seu Escolhido, a essa humilhação. O Diabo não teve por objetivo tentar a Jesus, mas, sim, testar, investigar, examinar, observar se Jesus era, com efeito, o Messias que se esperava, o Filho de Deus.
Jesus, "tentado" por Satanás, tinha, por outro lado, os anjos para O servirem. Deus, quando permite o convívio dum espírito inferior conosco, é certamente para que ele progrida, e, não, para que nos prejudiquem; por isso envia também espíritos superiores para nos auxiliarem.
O que é preciso é que nos tornemos inflexíveis no cumprimento da Lei. Já que "nem só de pão vive o homem" (nem só do pão do corpo vive o homem, mas também do pão espiritual, que são as leis de Deus), e "só ao Senhor nosso Deus pertence o culto e a adoração" (há cultos a pessoas, a dinheiro, a sexo, etc., o mais importante é a vivencia dos ensinamentos divino) , para que tiremos bom proveito na nossa tarefa terrestre cumpramos esses mandamentos, e Satanás nos deixará, quiçá, a renunciar às suas pompas, que tanto o fazem sofrer.
Muitas pessoas, para justificar seus erros, dizem: "Até Jesus foi tentado . . ." Sim, Ele foi testado, mas não caiu na tentação. Por isso, devemos pedir à Deus a força de resistir às sugestões dos maus Espíritos que tentarem nos desviar do caminho do bem, em nos inspirando maus pensamentos. Lembrando que, a causa primeira do mal está em nós, e os maus Espíritos não fazem senão aproveitar nossas tendências viciosas, nas quais nos mantém, para nos tentar.
Cada imperfeição é uma porta aberta à sua influência, ao passo que nada podem, e renunciam a toda tentativa, contra os seres perfeitos. Tudo o que poderíamos fazer para os afastar é inútil se não lhes opusermos uma vontade inabalável no bem, e uma renúncia absoluta ao mal. É, pois, contra nós mesmos que é preciso dirigir os nossos esforços, e então os maus Espíritos se afastarão naturalmente, porque é o mal que os atrai, enquanto que o bem os repele.
Portanto, os espíritos não criam o mal. Apenas exploram a tendência da pessoa. Imaginemos alguém à beira de um precipício. Nenhum Espírito vai jogá-lo no abismo. Mas poderá sugerir dizendo: “Salte! Veja como é bom! Você experimentará a sensação de voar! Um prazer indescritível!” Infelizmente, muitos, aceitando convites assim, de desencarnados e de encarnados, mergulham em paixões e viciações. Experimentam, passageiramente, prazeres e alegrias, nos domínios das sensações. Invariavelmente, entretanto, “esborracham-se” no fundo do abismo, comprometidos em renitentes perturbações e angústias que lhes amarguram a existência.

Joanna de Ângelis diz que “Ninguém cresce, moral e espiritualmente, sem a presença mortificadora da tentação. As tentações são pedras da estrada, criando impedimentos à movimentação dos viajantes do progresso; são os espinhos cravados nas carnes do coração ferindo, a cada contração muscular . . . A vida, sem tentações ou testes de avaliação moral, perderia o seu colorido e as suas motivações de crescimento. Mesmo Jesus, o Sábio por excelência, foi tentado, ensinando-nos que, se a tentação é fenômeno humano, a resistência contra o mal é a conquista divina.”
Como vemos, a tentação é um teste. Como estamos nos saindo neste teste?











sexta-feira, 14 de maio de 2010

CASAMENTO - visão espírita



QUE FORMA SOCIAL OU RELIGIOSA DEVEM OS ESPÍRITAS DAR AO SEU CASAMENTO? Deve estar faltando orientação sobre isso nos centros espíritas porque, quando chega o momento de casar, muitos espíritas ainda não se sentem suficientemente esclarecidos ou convictos a respeito. Examinemos, portanto, a questão. Faremos o estudo por etapas, pois apresenta diversos aspectos.
QUANDO OS NOIVOS SÃO, AMBOS, ESPÍRITAS: O casamento civil sempre será observado, pois o Espiritismo, seguindo o evangélico preceito “daí a César o que é de César”, recomenda obediência às leis humanas que visam à ordem social.
Mas nenhuma cerimônia religiosa deverá ser programada, pois o Espiritismo – que procura nos libertar das exterioridades para nos ligar diretamente à vida espiritual – não tem sacramentos, dogmas ou rituais quaisquer nem sacerdócio organizado para efetuá-los.
Isto não quer dizer que falte ao espírita, em seu casamento, o aspecto espiritual. Pelo contrário, a espiritualidade estará presente em tudo.

O casamento de Mário e Antonina, ambos espíritas, contado por André Luiz, no seu livro Entre o Céu e a Terra, psicografado por Chico Xavier:
- houve cerimônia civil;
- não houve cerimônia religiosa;
- a comemoração espiritual não foi realizada em centro espírita (para não dar o caráter de cerimônia religiosa oficial);
- a prece foi proferida por um familiar dos noivos (para fazê-la não é preciso convidar um presidente de centro, um orador espírita, um médium, nem é preciso que um espírito se comunique para “dar a bênção”);
- houve intensa participação espiritual dos noivos, dos familiares e convidados, bem como dos amigos desencarnados.

Os noivos que forem verdadeiramente espíritas – mesmo que suas famílias não o sejam e queiram dar outra opinião – já sabem como se casar perante a sociedade e a espiritualidade.
E nenhum centro ou sociedade verdadeiramente espírita deverá realizar casamentos (quer em sua sede, quer em casa dos noivos ou outro local), pois o Espiritismo não instituiu sacramentos, cerimônias, rituais ou dogmas.
QUANDO O PAR ESCOLHIDO FOR DE OUTRA RELIGIÃO Parece-nos que deverá logo na fase de namoro, buscar o entendimento religioso com o futuro cônjuge; se houver possibilidade, traze-lo ao entendimento espírita; não havendo essa possibilidade, analisar se apesar da divergência religiosa, levará ao casamento. Se a resposta for positiva, então o(a) espírita se defrontará com a questão da forma ou maneira de realizar esse casamento. Quando o(a) parceiro(a) não-espírita tiver sincero fervor na religião que professa, a ponto de sentir-se “EM PECADO” e com traumas morais sem a cerimônia que o seu credo estabelece, parece-nos que o(a) espírita (que está mais livre de injunções dogmáticas) poderá aceitar a forma externa do casamento segundo o costume da religião do seu cônjuge. Que “pecado” poderá haver, do ponto de vista espiritual, em comparecermos a uma igreja qualquer e partilharmos de uma prece, feita ela deste ou daquele modo? Esta tolerância, porém, tem seus limites. Só se justifica diante de uma verdadeira necessidade espiritual do(a) parceiro(a) e não quando ele(a) for apenas um(a) religioso(a) de rótulo (religioso não-praticante), por convenção social ou quando a exigência é feita pela família dos noivos, sem qualquer necessidade espiritual destes. Também não irá a tolerância chegar ao ponto de o(a) espírita aceitar os sacramentos individuais (batismo, confissão, comunhão) para a realização da cerimônia. Somos livres para acompanhar o(a) cônjuge à cerimônia indispensável para ele(a), mas, também, somos livres para não aceitar imposições pessoais, a que só com hipocrisia poderíamos atender. Caberá a outra parte conseguir a dispensa dos sacramentos individuais para o(a) espírita.
O QUE SIGNIFICA O CASAMENTO PARA O ESPÍRITA? Para os espíritas, casamento é mais que uma simples cerimônia, ele é visto como: UM PROGRESSO NA MARCHA DA HUMANIDADE, representando um estado superior ao da natureza em que vivem os animais. Um exemplo é a eliminação do egoísmo. O que antes dizíamos “meu quarto”, “minhas coisas”, depois de casados dizemos “nosso quarto”, “nossas coisas”; UMA UNIÃO NÃO DEVE SER APENAS FÍSICA OU MATERIAL (por beleza, atração sexual ou interesse financeiro, já que estes podem diminuir ou acabar), mas de caráter e implicações espirituais, pois: ATENDE À AFINIDADE (que unem os semelhantes pelos gostos, pelo modo de pensar, etc.); A EXPIAÇÕES, uniões para resgatar ou corrigir erros cometidos, a maioria ocorrem por afinidade ou sob a orientação dos mentores mais elevados (caso os Espíritos reencarnantes não estejam habilitados para esta escolha) ou A MISSÕES (uniões que regeneram e santificam). RESULTA DE RESOLUÇÕES TOMADAS NO PLANO ESPIRITUAL (antes da encarnação), livremente escolhidas e assumidas (caso os Espíritos reencarnantes já saibam e possam fazê-lo).
ALLAN KARDEC propôs aos Espíritos a seguinte questão: - "Será contrário à lei da Natureza o casamento?" Eles responderam: "É um progresso na marcha da Humanidade". Sua abolição seria regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes. Em outro item do mesmo livro Kardec anotou: "A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade" (O Livro dos Espíritos, 695, 696 e 701). Segundo os Espíritos, há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. "Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis por que os segundos constituem uma lei da Natureza. Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos." O relaxamento dos laços de família traria como resultado a recrudescência do egoísmo (cf. O Livro dos Espíritos, 774 e 775). Allan Kardec, examinando o tema em outra obra, assim escreveu: "Na união dos sexos, de par com a lei material e divina, comum a todos os seres viventes, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral - a Lei do amor. Quis Deus que os seres se unissem, não só pelos laços carnais, como pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se transmitisse aos filhos, e que fossem dois, em vez de um, a amá-los, cuidar deles e auxiliá-los no progresso" (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 22, item 3).
E O VESTIDO BRANCO? Vestir-se a noiva de branco faz parte dos costumes e tradições de nosso povo, mas, a rigor, não é obrigatório nem mesmo na igreja católica. Case-se com esse traje a jovem que assim o quiser, usando-o no civil ou na festa familiar, sem precisar querer uma cerimônia religiosa só para vestir o seu vestido branco, pois essa moda nada tem que ver com a religião ou espiritualidade.
E A ALIANÇA (anel) ? Esse anel, aliança, surgiu entre os gregos e os romanos, provavelmente vindo de um costume hindu e de usar um anel para simbolizar o casamento. Os romanos acreditavam que no quarto dedo o da mão esquerda passava uma veia (veia d'amore) que estava diretamente ligada ao coração, costume carregado culturalmente até os dias de hoje. No início a aliança era tida como um certificado de propriedade da noiva, ou de compra da noiva, indicando que a mesma não estava mais apta a outros pretendentes. A partir do século IX, a igreja cristã (católica) adotou a aliança como um símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos. Muitas crenças nasceram então, como exemplo o fato de que os escoceses dizem que a mulher que perde a aliança está condenada a perder o marido. Mas, para o espírita, é mais um culto externo, um simbolismo, um objeto material dispensavél sem significado nenhum. A única importância que damos é ao significado da palavra ALIANÇA: no sentido de "pacto", "acordo", entre duas pessoas objetivando a realização de fins comuns.
MORAR JUNTOS É CASAMENTO?
Tem casal que vai morar junto para julgarem se é conveniente ou não o casamento imposto pela religião e pela lei. Mas, desde que se proponham morar juntos já estão casados perante a lei divina. Por pensarem assim, vemos muitas pessoas trocando de parceiros(as) como quem troca de roupa. Pois, pensam não ter um vinculo de responsabilidade, para eles é apenas um teste. 
Na época de Moisés era normal o homem casar-se com várias mulheres assim como era normal livrar-se dela quando bem desejasse. As mulheres não passavam de escravas do marido, objetos de seus caprichos. Talvez sejam estes espíritos que estejam entre nós achando que podem ter várias mulheres. Daí o grande número de infidelidade. Só mudaremos isso quando ajustarmos nossas atitudes aos ensinamentos de Jesus.      

QUANDO OS CÔNJUGES SOUBEREM RESPEITAR SEU COMPROMISSO: Só terão a ganhar espiritualmente, pois: Tolerando-se e ajudando-se mutuamente, além de terem triunfando em suas provas ou expiações e de bem haverem cumprido seus deveres junto aos filhos, terão desenvolvido ou solidificado entre si laços de confiança e estima (invisíveis, mas duradouros) que os unirão de modo amigo e feliz, aqui e na vida do Além. Quem cumpre fielmente seu papel espiritual e material no casamento, mesmo que seu cônjuge não cumpra bem sua parte, ficará liberado, no plano espiritual, da obrigação que o trouxera a esse casamento aqui na Terra.




Compilação de Rudymara


 
LEIA O TEXTO: "CASAMENTO ESPÍRITA" NESTE MESMO BLOG http://grupoallankardec.blogspot.com/2011/01/como-e-o-casamento-espirita.html








quarta-feira, 12 de maio de 2010

PARÁBOLA DOS TALENTOS


Jesus contou a parábola dos talentos (talento era o nome da moeda da época): “Um homem rico distribuiu sua riqueza para 3 servos antes de sair em viagem: para o primeiro ele deixou 5 talentos, para o segundo 2 talentos, e para o terceiro 1 talento. Quando este homem volta da viagem, chama os servos e pergunta o que fizeram com os talentos. O primeiro que recebeu 5 talentos, negociou honestamente e ganhou mais 5 talentos, dobrou o valor recebido. O homem chama este homem de servo bom e fiél. O segundo que recebeu 2 talentos, devolveu o recebido e mais 2 talentos, ele também dobrou o valor confiado. O homem também o chamou de servo bom e fiél. E o terceiro, que recebeu 1 talento, devolveu ao homem o mesmo talento, pois com medo de negociar, enterrou o talento no quintal da sua casa. O homem chamou o servo de mal e preguiçoso."


Conclusão: Na verdade, este homem da parábola é Deus, os servos somos nós. Portanto, Deus empresta para uns mais valores, para outros mais ou menos, e para outros menos. Mas, cada um tem possibilidade de dobrar os valores confiados por Deus em bençãos no céu. Uns tem o talento de ensinar, outros de limpar, outros de cozinhar, outros de contar histórias, outros tem o talento da benevolência, humildade, amor, coragem, fé, entendimento, perdão, paz, tolerância, caridade, compaixão, mediunidade, etc. Todos temos algum talento, e são com estes talentos que buscaremos a prosperidade espiritual que tanto nos pediu Jesus. Não enterremos nosso talento, como fez o último servo da parábola, com a desculpa que não faz o bem porque não tem dinheiro ou tempo para fazê-lo. O bem não se faz apenas com o dinheiro, mas também com os outros talentos que Deus nos empresta como: as mãos, a inteligência, a palavra, uma atitude de carinho, de solidariedade, etc.
Os que não usam seu talento para o Bem, estão enterrando os talentos que Deus emprestou e retornarão ao plano espiritual (ao desencarnar) como aqui chegaram (no nascimento), sem ter feito bom uso deles em prol do próximo e deles mesmo, por egoísmo e preguiça. Lembremos que seremos cobrados não só pelo que fizemos, mas também pelo que deixamos de fazer.
Pensemos: Ao retornarmos ao plano espiritual como o HOMEM RICO irá nos chamar? De servo bom e fiel ou de servo mau e preguiçoso?
Nos perguntemos: COMO ESTAMOS USANDO NOSSO TALENTO?

 

"Todo homem tem na Terra uma missão, grande ou pequena; qualquer que ela seja, sempre lhe é dada para o bem; falseá-la em seu princípio é, pois, falir ao seu desempenho."

(O Evangelho Segundo o Espiritismo)
 
 
 
 






terça-feira, 11 de maio de 2010

OS PROFETAS


Não podemos falar da religião dos israelitas sem abordar os profetas, que vamos encontrar atuando em paralelo ao sacerdócio organizado, em toda a história do povo hebreu, e cujos escritos, conservados junto com os livros da Lei, eram lidos e explicados ao povo, também.
Profeta - que fala por alguém, como intérprete ou anunciador; no caso, "em nome de Deus".
Eram médiuns superiormente inspirados, chamados por Deus para transmitir ao povo as instruções divinas, a fim de que entendessem a vontade de Deus e a cumprissem, corrigindo desvios.
Para que o povo tivesse certeza de que Deus os autorizara a falar em seu nome, os profetas não só explanavam os ensinamentos divinos; também, produziam sinais (fenômenos de efeitos físicos ou intelectuais, inclusive predições, anúncio de acontecimentos futuros).
Mesmo assim, muitas vezes foram rejeitados, incompreendidos e, até, perseguidos e mortos.
Mas foi por intermédio deles que a orientação espiritual superior se manteve constante e atuante entre os hebreus, sem cair no domínio e subjugação da organização religiosa do templo ou do governo judaicos.
Em sentido lato, todos os israelitas que receberam de Deus "a palavra" (mensagem a ser transmitida ao povo) foram seus profetas (anunciadores, porta-vozes). Assim, Adão, Abraão e Moisés o teriam sido.
Em sentido restrito, o ministério profético começa com Samuel, passando por Elias, Eliseu e Davi.
Entretanto, somente mais tarde as mensagens divinas começaram a ser registradas por escrito.
Classificando, então, esses profetas conforme a extensão dos seus escritos, teremos:
Profetas maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel;
Profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
São, ao todo, 16 profetas. Se entre os maiores admitimos Baruc (que é livro deuterocanônico) serão 17.
Vale a pena citar que houve também profetisas, porém, sem livros escritos: Maria (irmã de Moisés); Débora; Ana (uma das primeiras pessoas a reconhecer Jesus como o Messias).

624. Qual o caráter do verdadeiro profeta?
O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Impossível é que Deus se sirva da boca de mentiroso para ensinar a verdade. (O Livro dos Espíritos).

QUEM É O ESPÍRITO SANTO?



Jesus deixou João batizá-lo para cumprir as previsões feitas sobre o Messias. Tais previsões diziam que João reconheceria o Messias quando visse descer sobre Ele um Espírito, e que este ficaria sobre o mesmo. João então mergulhou Jesus, e quando este saiu das águas e se pôs em oração, o céu se abriu e João viu o Espírito de Deus descendo "COMO POMBA" e vindo sobre Jesus. Neste momento uma voz dos céus dizia: "Este é o meu filho amado, em quem me comprazo".
Assim, o batismo do Espírito Santo nada mais é que a sintonia com os benfeitores do plano invisível, através de manifestações mediúnicas ostensivas ou sutis. E a figura da pomba passou a simbolizar o Espírito Santo pelos católicos.
Corinto era uma cidade comercial, com mais de 500.000 habitantes, na maioria escravos. Nesse porto marítimo se acotovelava gente de todas as raças e religiões à procura de vida fácil e luxuosa, criando ambiente de imoralidade e ganância. Por isso, Paulo disse aos Coríntios (6: 19:20): “quem se entrega à imoralidade peca contra o seu próprio corpo. Ou vocês não sabem que o seu corpo é templo do Espírito Santo, que está em vocês e lhes foi dado por Deus?” Paulo pedia para que aquele povo cuidasse do corpo físico, deixando claro que nele habita um Espírito Santo, ou seja, todo Espírito é Santo, mesmo os que se encontram na imoralidade. Ele é santo, porque foi criado por Deus para que dele façamos bom uso. E quando fora do corpo (desencarnado), são eles que estão por aí dando comunicações sobre todos os pontos da Terra, utilizando para isso, os intermediários, ou seja, os médiuns de todas as religiões e fora delas também. O Senhor derramou o Espírito Santo sobre os apóstolos no dia de Pentecostes e eles profetizaram, tiveram visões, etc. (Atos 2). Mas, sigamos a recomendação de João, quando disse para que: “Não acreditemos em todos os Espíritos, mas que examinássemos se eles são de Deus.” Ou seja, que examinemos se suas comunicações são baseadas na moral cristã. Há muitos Espíritos usando nomes respeitáveis da história, brincando com a fé das pessoas, pedindo e aconselhando coisas absurdas.
 

Texto de Rudymara 



 



segunda-feira, 10 de maio de 2010

RAUL TEIXEIRA RESPONDE SOBRE: "CESTAS BÁSICAS, RECEITUÁRIOS HOMEOPÁTICOS E CIRURGIAS ESPIRITUAIS" NAS CASAS ESPÍRITAS



- Como você analisa as cestas básicas de alimentos, os receituários homeopáticos e a cirurgia espiritual nas casas espíritas?

Raul Teixeira: Quando falamos em cirurgias espirituais, temos que destacar aquilo que os Espíritos fazem e de que, muitas vezes, não temos consciência. Eles trabalham no campo do perispírito, utilizando-se dos recursos fluídicos do mundo espiritual e do poder mediúnico que a casa tem, em função do seu corpo de médiuns, e que nem ficamos sabendo. Quando passamos a saber, costumamos fazer em torno disso um verdadeiro carnaval. Então, surgem celeumas, discrepâncias, desentendimentos, jogos de interesse e cerimoniais plenamente desnecessários para o trabalho em questão.

Quando se tratar de cirurgias com utilização de instrumentos de perfuração ou corte, a casa espírita deverá todo cuidado possível porque essa não é a proposta da Doutrina Espírita. Com todo respeito devido aos médiuns curadores que utilizam as facas, canivetes, bisturis, serras, agulhas, etc, cumpre saibamos que não é essa a finalidade de um centro espírita, evitando, sempre que possível, semelhantes práticas em nossas instituições. Perfurações, cortes, extirpações de órgãos e tudo o mais nessa órbita são da alçada da medicina humana, e devemos respeito aos facultativos, respeito à ciência.

Temos à nossa disposição a fluidoterapia, que é uma forma de tratamento que os Espíritos nos ensinaram, conforme as referências de Allan Kardec, no cap. XIV, itens 32 e 33, de A Gênese, o que deve ser observado e realizado com profunda unção, identificando os princípios da fluidoterapia com as perfeitas leis da natureza.

Há, contudo, médiuns com possibilidade de realizar essas atividades de cura espiritual, sem que pertençam a centro espírita algum, mas quando pertencem, é comum haver muita indisciplina em torno desse tipo de atividade, porquanto são raros os dirigentes que não se põem extasiados diante dessa expressão mediúnica, passando a devotar aos médiuns uma perigosa veneração e por isso se sentem desencorajados de lhes chamar a atenção para a indispensável vigilância e a urgente renovação, enquanto atuam nos labores do bem ao próximo.

É muita gente que procura essa faceta mediúnica, é muita gente que a deseja e diversos são os médiuns que se dedicam a essa lida, mas que se sentem impossibilitados de vivenciar a disciplina que o Espiritismo propõe, e passam, em nome do exercício da caridade, a dedicar um tempo muito grande a essas práticas, deixando de lado o tempo precioso para os estudos indispensáveis para refletir em torno da sua própria atividade, para saber como atuam os Espíritos por seu intermédio, que objetivos têm eles ao se prestar a esse serviço; e por desconhecer o sentido da mediunidade para a vida dos médiuns, menosprezam os esforços da autorrenovação, conquanto se apoiem, quase sempre, numa visão distorcida do que seja a prática da caridade. Esse é um aspecto perigoso das práticas cirúrgicas nos centros espíritas. É certo que os Espíritos dedicados ao bem do próximo realizam verdadeiros prodígios sem que o saibamos. Outros dão-se a conhecer, mas investem recursos na melhoria íntima daqueles aos quais oferecem curas físicas, em nome do Senhor.

No Rio de Janeiro há instituições muito conhecidas que, como o Templo Espírita Tupyara, realizam respeitáveis trabalhos de tratamento de saúde física, que se tornaram dignos de confiança pelos resultados obtidos, em razão dos médiuns que lidam nesse labor serem instados às disciplinas e à boa conduta, para que possam merecer o auxílio dos Bons Espíritos. Realizam tratamentos cirúrgicos à distância sem que nenhum médium necessite furar ou cortar os pacientes. É comum que as pessoas sintam os resultados e as curas são realizadas, demonstrando, exatamente, aquilo que O Livro dos Médiuns nos ensina, ou seja, quando há mérito do enfermo e um médium em boas condições para a realização do fenômeno da cura, ela se dá.

Os indispensáveis cuidados que o centro espírita deverá ter são: primeiro, verificar se há médiuns com essas habilidades todas - que são raros - e, depois, que tipo de trabalho será chancelado pela instituição, em nome do Espiritismo. O tratamento da saúde alheia é algo de muita responsabilidade.

Quanto aos receituários, os Espíritos (segundo O Livro dos Médiuns) trabalham com o laboratório do mundo invisível. Diz Allan Kardec que os Espíritos não têm nenhuma pretensão de competir com os farmacêuticos e inventores de reconstituintes da Terra (O Livro dos Médiuns, cap. VIII, questão 13.ª, nota de Kardec), o que nos permite entender que o trabalho de lidar com as dificuldades da saúde humana, de tratá-la e medicá-la pertence à humana medicina.
O receituário mediúnico não deveria ser uma coisa realizada sem sentido, aberta ou escancarada, em que as pessoas com indisposição para ir ao médico, ou as que não desejam enfrentar as filas dos institutos de previdência, ou as que se valem dos motivos mais banais se alistam, por comodidade, no rol dos necessitados e vão ao centro espírita para que os Espíritos as mediquem. Naturalmente, os Espíritos não se negam a dar uma orientação, desde que haja razão de ser no pedido, restando saber se o centro espírita dispõe de um médium receitista conforme manda o figurino, ou se serão pessoas receitando placebos para enganar a boa fé dos consulentes, enquanto as reais enfermidades se vão agravando.

O fato de um médium ser psicógrafo não significa que ele tenha que ser um médium receitista. O receituário mediúnico é uma especialização que pode ser através da psicografia, da psicofonia, da inspiração ou da intuição. Não nos cabe, apenas por querer imitar outros grupos e instituições, "inventar" um médium receitista para atrair multidões, pois não é essa a função dessa expressão mediúnica. As consequências dessa "invenção" costumam ser muito danosas, muito dolorosas mesmo.

Quando se descobre que no centro espírita há médiuns com essa habilidade para o receituário mediúnico, aqueles que conseguem estabelecer contato psíquico com médicos desencarnados em prol dos necessitados humanos, então se deverá providenciar uma reunião para esse mister. O trabalho do médium Chico Xavier nesse caso é um exemplo muito interessante, pois se realizava uma reunião de estudos doutrinários, com os comentários dos participantes, enquanto o médium receitista, no caso, o próprio Chico, era situado numa outra sala, com a ajuda de um auxiliar, a fim de atender às solicitações que lhe chegavam, com os mais variados tipos de solicitação. No caso, deverão ser selecionados os pedidos de orientação para os casos de saúde. As leituras, estudos e comentários ajudarão a criar e a manter o clima de salutar vibração para que o receitista possa atender ao seu compromisso.

Essas atividades de receituário devem ser muito bem pensadas, para que não modifiquemos a proposta da doutrina espírita, em nome de um suposto movimento de caridade. É importante que não desenvolvamos uma ação de "descaridade" para com o Espiritismo, em nome da caridade.

A coordenação dos trabalhos doutrinários do centro espírita deverá persuadir, caso seja necessário, o médium a participar das reuniões de estudos, para que ele não se apresente como um livre atirador, nem fique à mercê dos inimigos desencarnados de todos os que, embora se dediquem ao bem, mostram-se relapsos ou negligentes com suas responsabilidades pessoais. Os médiuns, quaisquer que sejam, não podem visitar o centro espírita somente nos dias de reuniões mediúnicas, alegando não ter mais tempo para as demais atividades da instituição. Se não participa dos estudos, se não desenvolve disciplinas e se não participa de uma obra social em que teria chance de pôr em prática o seu discurso teórico, o resultado será o envolvimento na má inspiração, em razão da fuga deliberada da sintonia dos bons Espíritos. Esses são cuidados cabíveis a uma instituição espírita dinâmica e responsável.

Quanto às cestas básicas, vestuários, remédios, médicos, etc., deveremos ter a nítida consciência de que fazemos isso por causa dos descompromissos das autoridades governamentais, a quem caberia tais providências. Precisamos ter a consciência de que esse não é o papel fundamental do centro espírita. Não será de bom alvitre abrir-se um Centro Espírita com essa finalidade, uma vez que o centro deve ser o educandário básico da mente popular.

Entretanto, com base no Evangelho de Jesus, se nos chega alguém padecendo fome, não adiantará fazer discursos bonitos e doutrinários para essa pessoa; ela precisa é de alimentação. Tem que se lhe dar comida. Se se aproxima alguém ao relento, desnudo, precisando de roupa, não adianta oferecer-lhe comida, será preciso dar-lhe uma peça de roupa. Por outro lado, se aparece em nossa instituição alguém doente, não valem discursos nem peças de roupa; há que se lhe providenciar um atendimento médico, seja num posto de saúde, seja num hospital para que seja devidamente tratado. Assim, atenderemos os nossos irmãos do caminho em função das carências que apresentem.

Não viveremos para dar cestas básicas ou roupas. Seria um trabalho de mera filantropia e nós, os espíritas, precisamos ter a consciência de que isto é o de menor importância na pauta de nosso trabalho. Torna-se por demais importante ensinar as pessoas a se conduzir no mundo, ensinar-lhes a viver... Ao lado de tudo o que o centro espírita possa ofertar, a importância maior recairá sobre aquilo que possamos dar de nós mesmos aos necessitados de quaisquer matizes. Muitas vezes somos hábeis na entrega de muitas "coisas" a necessitados, embora tenhamos muita dificuldade de abrir o coração às pessoas. Costumamos ficar sempre longe deles; não procuramos saber quem são, seus nomes, ou quais são as suas necessidades verdadeiras.

Os nossos irmãos necessitados não deverão ser transformados em números fichados, a fim de que os espíritas os utilizemos para sermos caridosos, às custas da exibição da miséria ou das carências deles. O aprendizado espírita nos faz compreender que são, todos, nossos irmãos, são os filhos e as filhas do calvário. Por isso é que todos os trabalhos desenvolvidos pelo centro espírita devem ser bem pensados, devem ter um porquê, precisam ter um sentido, uma razão de ser, a fim de que não percamos tempo realizando atividades que podem ser comparadas às de quem enxuga gelo.

Jamais deveremos fazer algo somente por fazer, sem que haja um sério e espiritual objetivo nessa realização.

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Entrevista realizada na sede da SEF - Sociedade Espírita Fraternidade, publicada no jornal Correio Espírita em março/2007.

sábado, 8 de maio de 2010

QUANDO DEUS CRIOU AS MÃES


Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou Dele e Lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação.
Em quê, afinal de contas, ela era tão especial?
O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado.
Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado.
Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse.
Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma.
Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.
Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido, quase insignificante, numa roupa especial para a festinha da escola.
Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado.
Outro para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: Eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo, mesmo sem dizer nenhuma palavra.
O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora.
Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos.
De superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.
Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade.
Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas, ainda assim, insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.
Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.
Uma mulher de lábios ternos, que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas.
Lábios que soubessem falar de Deus, do Universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.
Uma mulher. Uma mãe.


Ser mãe é missão de graves responsabilidades e de subida honra. É gozar do privilégio de receber nos braços Espíritos do Senhor e conduzi-los ao bem.Enquanto haja mães na Terra, Deus estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe, porque a mãe é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem felicidade e paz.


Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

CARTAS ÀS MÃES



Minha irmã, se Deus te deu
A luz da maternidade,
Deu-te a tarefa divina
Da renúncia e da bondade.

Busca imitar no caminho
A Rosa de Nazaré,
Irradiando o perfume
De amor, de humildade e fé.

Lembra sempre em tua estrada
Que a paz de tua missão
É feita dessa ternura
Que nasce do coração.

Contempla em cada filhinho
Um luminoso sorriso
Da alegria dolorosa
Que te leva ao paraíso.

Porque, ser mãe, minha irmã,
É ser prazer sobre as dores,
É ser luz, embora a estrada
Tenha sombras e amargores.

Ser mãe é ser a energia
Que domina os escarcéus,
É ser nas mágoas da Terra
Um sacrifício do céus.

Pensa nisso e não duvides
Da grande misericórdia
Que te deu na senda escura
A lâmpada da concórdia.


Pelo espírito: Casimiro Cunha

Psicografia de: Chico Xavier