terça-feira, 13 de abril de 2010

COMO NASCERAM OS LIVROS DA CODIFICAÇÃO?

O primeiro livro espírita a ser codificado por Allan Kardec foi “O Livro dos Espíritos”, que apresenta-se na forma de perguntas e respostas, totalizando 1.019 tópicos. Foi o primeiro de uma série de cinco livros editados pelo pedagogo sobre o mesmo tema. As médiuns que serviram a esse trabalho foram inicialmente Caroline e Julie Boudin (respectivamente, 16 e 14 anos à época), às quais mais tarde se juntou Celine Japhet (18 anos à época) no processo de revisão do livro. Após o primeiro esboço, o método das perguntas e respostas foi submetido a comparação com as comunicações obtidas por mais de dez médiuns franceses, cujos textos psicografados contribuíram para a estruturação de O Livro dos Espíritos, publicado em 18 de Abril de 1857, no Palais Royal, na capital francesa, contendo 550 itens. Só a partir da segunda edição, lançada em 16 de março de 1860, com ampla revisão de Kardec mediante o contato com grupos espíritas de cerca de 15 países da Europa e das Américas, aparecem as atuais 1019 perguntas e respostas. Este livro está dividido em quatro (4) partes, e de cada parte nasceram os demais livros da codificação.
1ª PARTE : DAS CAUSAS PRIMÁRIAS: deu origem ao 5º livro "A GÊNESE" (1868). Este livro, além de representar a maturidade do pensamento kardequiano em torno da Doutrina Espírita, traz de forma lógica e reveladora, considerações acerca da origem do planeta Terra; explica a questão dos milagres, a natureza dos fluidos, os fatos extraordinários e as predições contidas no Evangelho;
2ª PARTE: DO MUNDO ESPÍRITA OU MUNDO DOS ESPÍRITOS: deu origem ao 2º livro "O LIVRO DOS MÉDIUNS" (1861). Também conhecido como guia dos médiuns e dos evocadores, o livro dá seqüência ao “O Livro dos Espíritos”. Ele trata do tema central da Doutrina: a atuação dos médiuns e o relacionamento deles com os Espíritos desencarnados. Trata também da Ciência espírita e apresenta uma série de definições para as atuações e tipos de médiuns, bem como para os Espíritos que podem apresentar imperfeições, uma vez que nada mais são do que humanos sem corpo físico;
3ª PARTE: DAS CAUSAS MORAIS: deu origem ao 3º livro "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” (1864). Kardec entendia que as seitas, cultos e religiões se preocupam mais com a parte mística do que com a parte moral. Explica ele que, apesar da moral evangélica ter sido sempre admirada, trata-se mais de um ato de fé do que compreensão verdadeira, uma vez que o novo testamento é de difícil entendimento para a maioria dos leitores. Os preceitos morais contidos no Evangelho foram escritos repletos de parábolas e metáforas, dificultando o entendimento. Assim, para tornar as “passagens obscuras” do texto, mais claras, o Evangelho Segundo o Espiritismo traz explicações sobre como aplicar os ensinamentos de Cristo na vida. Desta maneira, com a ajuda dos Espíritos, Kardec introduz o que ele chama de “chave” para decifrar o conteúdo do Evangelho;
4ª PARTE: DAS ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES: deu origem ao 4º livro "O CÉU E O INFERNO” (1865). Este livro trata das causas do temor da morte; fala obviamente sobre Céu e Inferno, e traça paralelos entre as crenças cristãs existentes e a espírita (uma nova crença cristã) a respeito do limbo, das penas eternas, dos anjos e origem dos demônios. Na parte em que apresenta depoimentos, surgem narrações de desencarnados em condições razoáveis de evolução, bem como Espíritos infelizes, sofredores e suicidas. Traz um exame comparando sobre a passagem da vida material para a espiritual, falando sobre as penalidades e recompensas, anjos e demônios.

Portanto, O Livro dos Espíritos é uma obra monumental, antídoto do materialismo, bússola que nos orienta à viagem para nosso interior.





segunda-feira, 12 de abril de 2010

NOSSA HOMENAGEM À GERALDO GUIMARÃES

Deixamos aqui nossa homenagem a Geraldo Guimarães que desencarnou no dia 11 de janeiro de 2010, na cidade do Rio de Janeiro, um dos mais requisitados expositores espíritas do Brasil, que, nesta encarnação, foi esposo de outra notável expositora espírita, a Ana Guimarães.
Geraldo é conhecido no Brasil inteiro, bem como no exterior, porque sempre foi um dos palestrantes escolhidos para falar nos grandes eventos, haja vista a sua cultura espírita, a sua oratória e a sua história como trabalhador espírita dedicado, durante várias décadas, inclusive como membro do Lar Fabiano de Cristo, onde vinha atuando, nos últimos anos, com dedicação integral.
Atua no campo da divulgação doutrinária há mais de 45 anos, desde a juventude.
Já esteve aqui em Taubaté trazendo seu conhecimento espírita.
Oremos juntos por essa nobre alma que retornou à espiritualidade, levando consigo nosso carinho e o passaporte do seu grande coração e sua extensa folha de serviços prestados ao bem!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

JESUS NÃO É DEUS





Nos primeiros 3 séculos de Cristianismo, não se fala de Jesus como Deus. A ideia de divinização de Jesus firma-se sob o século IV, ao tempo do Imperador Constantino, após a célebre controvérsia entre Alexandre e Arrius.
Alexandre, patriarca da Alexandria, pregava um Jesus igual a Deus. Arrius, presbítero de uma das igrejas, procurava demonstrar Jesus como filho de Deus, mas não igual a Ele. Entretanto, Arrius é que foi considerado herético e a divindade de Jesus foi proclamada pela Igreja Católica.
No século VII, se aprovaria o dogma da Santíssima Trindade.
Imposta à cristandade, a divinização de Jesus não foi aceita sempre e nem por todos. De vez em quando, aqui e ali, surgem tentativas de reapresentar Jesus como um ser humano. Tentativas que, às vezes, resvalam para o erro de ir ao extremo oposto e querer fazer de Jesus não apenas um ser humano, mas um homem comum demais, com as fraquezas e inferioridade dos humanos pouco evoluídos. Podemos citar a fantasiosa estória do livro Código Da Vinci. É mais fácil tentar justificar nosso erro do que corrigi-lo. É mais fácil tentar trazer Jesus para nosso nível evolutivo, buscando erros em Sua conduta, do que buscarmos alcançar o nível Dele. É mais fácil copiar erros, que supomos ter Ele cometido, do que copiarmos os acertos . . .
Entretanto, no que se refere à natureza de Jesus, os Evangelhos são absolutamente concordantes e coerentes, não dando lugar a qualquer equívoco.
Kardec examina exaustivamente o assunto em "Um Estudo sobre a Natureza de Jesus" (em "Obras Póstumas"). As palavras do próprio Jesus são o maior argumento contra a pretensa natureza divina, que lhe quiseram atribuir posteriormente; elas evidenciam dualidade e desigualdade entre Jesus e Deus, que não há entre eles quaisquer identidade nem de natureza nem de poder, pois: um é o Criador, outro a criatura; um é o Senhor, outro o seu enviado e submisso executor de sua vontade. Eis algumas dessas afirmativas:
"Meu Pai, que me enviou, foi quem me prescreveu, por mandamento seu, o que devo dizer e como devo falar." - (Jo 12:49/50)
" . . .as obras que MEU PAI me deu o poder de fazer (...) dão testemunho de mim" - (Jo 5:36)
"se me amásseis, rejubilaríeis, pois que vou para meu Pai, porque MEU PAI é maior do que eu." - (Jo 14:28)
"PAI, tudo te é possível." (Mc 14:26)
"Se QUERES, afasta de mim este cálice" - (Lc 22:42) "Todavia, não seja como eu quero e, sim como TU queres" - (Mt 26:39)
"PAI, nas TUAS mãos entrego o meu Espírito." - (Lc 23:46)
Mesmo após a sua morte e ressurgimento espiritual, Jesus continua a demonstrar, com suas palavras, que permanece a dualidade e desigualdade entre ele e Deus: "Subo para MEU PAI e vosso Pai, para MEU DEUS e vosso DEUS." - (Jo 20:17)
Deus criou o Universo e todos os seres que nele habita. Nós fomos criados por Ele e Jesus também. Jesus evoluiu em outro planeta. Quando ele estava num grau elevadíssimo de evolução Deus o incumbiu de acompanhar o nascimento do nosso planeta Terra. Desde então Ele toma conta dele. Por isso o chamamos de Governador da Terra. Portanto, Jesus não é Deus, ele é apenas um dos muitos trabalhadores de Deus.


Compilação de Rudymara







 

COMO INTERPRETAR O ANTI-CRISTO? - Emmanuel


Podemos simbolizar como Anticristo o conjunto das forças que operam contra o Evangelho, na Terra e nas esferas vizinhas do homem, mas, não devemos figurar nesse Anticristo um poder absoluto e definitivo que pudesse neutralizar a ação de Jesus, porquanto, com tal suposição, negaríamos a previdência e a bondade infinita de Deus.

Do livro: O Consolador, questão 291







terça-feira, 6 de abril de 2010

PARA MINISTRAR UM PASSE A PESSOA DEVE ESTAR MEDIUNIZADA? - Divaldo Franco



O que é o passe? Para ministrar um passe a pessoa deve estar mediunizada? Que você pensa do passe magnético?

Divaldo - O passe significa, no capítulo da troca de energias, o que a transfusão de sangue representa para a permuta das hemácias, ajudando o aparelho circulatório. O passe é essa doação de energias que nós colocamos ao alcance dos que se encontram com deficiências, de modo que eles possam ter seus centros vitais reestimulados e, em conseqüência disso, recobrem o equilíbrio ou a saúde, se for o caso.
O passe magnético tem uma técnica especial, conhecida por todos aqueles que leram alguma coisa sobre o mesmerismo. É transfusão da energia do doador, do agente.
O passe que nós aplicamos, nos Centros Espíritas, decorre da sintonia com os Espíritos Superiores, o que convém considerar sintonia mental, não uma vinculação para a incorporação.
O passe deve ser sempre dado em estado de lucidez e absoluta tranqüilidade, no qual o passista se encontre com saúde e com perfeito tirocínio, a fim de que possa atuar na condição de agente, não como paciente. Então, acreditamos que os passes praticados sob a ação de uma incorporação propiciam resultados menos valiosos, porque, enquanto o médium está em transe, ele sofre um desgaste. Aplicando passe, ele sofre outro desgaste, então experimenta uma despesa dupla.
Os espíritos, para ajudarem, principalmente no socorro pelo passe, não necessitam, compulsoriamente, de retirar o fluido do médium, nele incorporando. Podem manipular, extrair energia, sem o desgastar, não sendo, pois, necessário o transe.






segunda-feira, 5 de abril de 2010

PADRE JÚNIOR DISSE: "CHICO XAVIER EXALAVA AMOR."


O Brasil é uma país falsamente católico. Ok, oficialmente o catolicismo é a nossa religião, mas muita gente tem um pé no espiritismo.....
Padre Júnior deixou de lado as diferenças filosóficas entre as religiões e afirmou que “Chico Xavier exalava amor. Seja no Espiritismo ou Catolicismo, todos nós somos cristãos e é isso que sempre vai nos unir”, pregou o sacerdote em referência às ações humanitárias do médium.
"Chico Xavier exalava amor, era extremamente humano em suas palavras e em suas ações". Foi dessa maneira que o padre José Lourenço da Silva Júnior, titular da paróquia São Judas Tadeu, em Uberaba (MG), descreve o médium mineiro. Apesar de diferenças filosóficas entre espiritismo e catolicismo, a referência humanitária de Chico Xavier quebrou barreiras e possíveis preconceitos entre diferenças religiosas.
"Uberaba tem uma religiosidade muito forte e presente na vidas das pessoas. Seja espiritismo ou catolicismo, todos nós somos cristãos e é isso que sempre vai nos unir", disse padre Júnior, antes de celebrar a missa de lava-pés, na noite de quinta-feira (1º), véspera da Sexta-Feira Santa e do centenário de nascimento de Chico Xavier. Ele morreu em 30 de junho de 2002.
O padre disse ainda que a união religiosa evidenciada em Uberaba pode ser considerada um exemplo para os povos no mundo. "O homem erra quando se divide religiosamente. Não se pode ser hipócrita, pois a irmandande humana não se quebra com a religião de cada um. É preciso deixar de lado esse sectarismo religioso e ter mais acolhimento e misericórdia", afirmou Júnior.
Chico Xavier e padre Júnior se encontraram pela primeira vez na paróquia São Judas tadeu. "Chico foi padrinho em um casamento celebrado por mim. Depois da cerimônia, conversei com ele por cerca de 20 minutos. Ele era uma pessoa bela. Não se pode levar em conta o distanciamento entre a filosofia do espiritismo e a do catolicismo. Ele era exemplo pelo apoio que oferecia aos mais necessitados", disse o pároco.
Júnior se sente à vontade para falar sobre Chico Xavier, pois é padre em Uberaba há 25 anos, sendo que há 18 anos comanda a paróquia São Judas na cidade mineira. "Penso que temos de colocar no coração que Jesus, que nos deixou a seguinte mensagem: 'do amai-vos uns aos outros como eu vos amo'. Esse amor não pode ser técnico, tem que vir do coração."
- Glauco Araújo Do G1, em Uberaba (MG)


O AMOR NÃO TEM RÓTULO RELIGIOSO.....IRMÃ DULCE, MADRE TEREZA, BEZERRA DE MENEZES, CHICO XAVIER E OUTROS EXALAVAM AMOR...........

RAUL TEIXEIRA DIZ: "TRABALHO DE CHICO INSPIROU PESSOAS E OBRAS SOCIAIS"


O niteroiense Raul Teixeira, de 60 anos, é um dos fundadores da Sociedade Espírita Fraternidade (SEF), em São Domingos, Niterói. A instituição mantém uma obra social, o Remanso Fraterno, voltada para famílias de baixa renda.
Em entrevista concedida por e-mail dos Estados Unidos, onde faz palestras para divulgar a doutrina espírita, o renomado orador e médium falou sobre Chico Xavier e o momento atual do espiritismo.


Como vê o momento atual da doutrina espírita, oito anos após o desencarne de Chico Xavier?

Identifico um movimento espírita crescente, dinâmico, tanto no Brasil quanto fora, onde têm sido apresentados seus fundamentos. Naturalmente, um movimento calcado em ideias, em filosofia, na medida em que vai se tornando massivo, passa receber afluentes opiniáticos que tentam se impôr, influenciar, modificar, como ocorreu com todas as doutrinas existentes no mundo. Passados oito anos da desencarnação de Chico Xavier, podemos ver com muita clareza a influência benéfica do seu prodigioso trabalho psicográfico, sem dúvida, mas, fundamentalmente, a força do homem amoroso que soube ser e do seu poder inspirador, uma vez que incontáveis criaturas transformaram suas vidas para melhor, em razão da inspiração em Chico. Múltiplas obras sociais de benemerência, de auxílio e de socorro aos necessitados de vários matizes surgiram sob essa mesma inspiração.


O senhor tinha muito contato com Chico? Lembra-se de alguma passagem marcante vivida com ele?

Mantive muitos contatos com Chico, posto que passei a visitar a cidade de Uberaba desde 1969, duas vezes ao ano, valendo-me dos períodos de minhas férias escolares. Tanto ia proferir palestras na cidade quanto visitar o generoso benfeitor, que se me tornou muito querido amigo, tendo-me convidado para participar de algumas reuniões e atividades mais privativas que realizou em sua casa, como quem desejasse incentivar para o exigente trabalho do bem um jovem iniciante nos passos da doutrina espírita. Numa dessas estadas em sua casa, quando ele e alguns amigos realizavam um momento de estudos espíritas e de psicografias, pude vê-lo atender a uma família que lhe chegara à casa em franco desespero. Um pai levando preso nos braços um menino, que aparentava estar nos seus 7 ou 8 anos de idade, que o chutava, mordia e grunhia. Um jovem senhora, em pranto, e uma senhora idosa que soubemos ser a avó materna do menino. Alguns confrades cederam lugares para a pequena caravana de sofredores. Um silêncio pairou na sala, entrecortado pelos sons de soluços e grunhidos da criança em comovedor estado obsessivo. Chico ergueu-se de onde estava sentado, e dirigiu-se ao pequeno grupo. Em rápidas e doridas palavras, a mãe do pequeno descreveu seu calvário de meses de desgastes, de incontáveis noites insones, dos inúmeros consultórios médicos visitados na procura de solução para o caso do filho querido, sem qualquer êxito. Revezavam-se os três adultos, em casa, para tomar conta do menino que intentava sempre uma forma de ferir-se gravemente, destruir a vida, caso ficasse sem vigilância permanente. Depois de ouvir o breve relato, Chico Xavier solicitou a uma das convidadas para proferir uma oração, e pela primeira vez vi-o erguer as mãos sobre a dupla pai e filho, no trabalho dos passes, da fluidoterapia.De inopino, a sala foi invadida por um intenso perfume de rosas, mas eram rosas vivas, que chegavam a nos arder os olhos. Tudo ficou impregnado daquele perfume. o menino foi se acomodando nos braços do genitor, o homem chorava agora de emoção, assim como as duas mulheres que o acompanhavam. Chico ainda aplicou passes nas duas senhoras e, ao concluir, o ambiente estava em completo silêncio, como um campo de paz. O grupo familiar, que chegara de uma cidade interiorana do estado de Goiás, levantou-se agradecido e em lágrimas, enquanto o menino dormia sereno. No momento em que o pai agradecia a intervenção espiritual de Chico, este recomendou-lhe que conduzisse o filho ao centro espírita existente em sua proximidade, em Goiás, a fim de dar continuidade ao tratamento fluidoterápico da criança, garantindo que, se o fizessem, o menino se recuperaria do difícil processo perturbador. Para mim, em particular, foi uma noite memorável, de profundos aprendizados, tendo em vista a simplicidade com que Chico Xavier atendeu aquelas pessoas. Não fez estardalhaço, não bufou nem fungou, não ficou com a respiração ofegante, não demonstrou nenhuma estranheza diante do caso. Em nenhum momento assustou a família ou fez prognóstico catastrófico, mesmo sabendo da gravidade do caso. Agiu como um facultativo experiente à frente de um diagnóstico conhecido, consciente do que podia fazer para minorar o drama, indicando, após, a continuidade do tratamento. Esse foi o Chico Xavier que conheci e que me cativou, desde os distanciados dias da minha juventude.


Muitos o consideram sucessor do Chico, ao lado de Divaldo. O senhor concorda com essa ideia de "sucessão"? Por quê?

O movimento espírita corresponde ao labor que desenvolvemos em torno da doutrina espírita. Todo e qualquer esforço ou realização no sentido de ensinar e divulgar o espiritismo passa a compor essa dinâmica que denominamos movimento espírita. A doutrina espírita por si mesma não tem qualquer hierarquia, não evoca qualquer direito canônico para o enquadramento dos seus pares. Os compromissos dos espíritas para com a doutrina estão calcados nas leis que regulam a nossa consciência. Os fundamentos espíritas, tais como a existência de Deus, a existência e imortalidade da alma, a pluralidade das existências, a pluralidade dos mundos habitados e a comunicabilidade dos espíritos, impulsionam-nos e facilitam-nos o melhor entendimento do mundo e das suas relações sociais, levam-nos a compreender mais e melhor as provas e as expiações encontradas na terra e nos facultam a vivência do amor ao próximo sob o nome de fraternidade. Na doutrina espírita não existe uma ordenação sacerdotal de qualquer espécie; ninguém sucede a ninguém, hierarquicamente, uma vez que cada criatura chega ao mundo com seu canhenho de compromissos, de responsabilidades, o que levou Jesus Cristo a afirmar que "a cada um será concedido conforme as suas obras". Assim, procuro compreender a generosidade de muitos companheiros que conseguem ver em mim qualquer possibilidade de substituir fulano ou beltrano, mas sou obrigado a admitir que avaliam indevidamente e têm muito pouca reflexão espírita. O nosso trabalho deve ser realizado pelo compromisso que toda criatura humana deve ter com o bem, pois as leis de Deus nos recomendam a sua prática. Em nenhum momento, porém, procuraremos fazer isso ou aquilo para suceder a quem quer que seja, salvo nos casos de falta de senso crítico ou de lamentável presunção vaidosa.
EXTRA on line

sábado, 3 de abril de 2010

HÁ MEDIUNIDADES MAIS IMPORTANTES QUE OUTRAS? - J. Raul Teixeira


Verdadeiramente não pode haver mediunidades mais importantes que outras, nem médiuns mais fortes do que outros. Existem médiuns e mediunidades. Segundo Paulo de Tarso, existem os "dons" e ele se refere à visão, à audição, à cura, à palavra, ao ensino, mas disse que um só é o Senhor’. Eles provêm da mesma fonte. Os indivíduos que psicografam, que psicofonizam, que materializam, poderão todos realizar um trabalho apostolar, na realidade em que se encontram.
Não é o número de possibilidades que dá importância ao médium. O que engrandece espiritualmente o médium é aquilo que ele faz com os dons que possua. Verificamos que a importância do médium se localiza na honra que tem de poder servir.
Não existem médiuns mais fortes que outros, na Doutrina Espírita, mas, sim, os que são mais dedicados que outros, mais afervorados que outros, que estão renunciando à matéria e efetuando o esforço do auto-aprimoramento mais que outros. Isso ocorre. E é esse esforço para algo mais alto que confere ao médium, ou a outro servidor qualquer, melhores condições de estar à frente na lide. Mas isso não significa que o que venha na retaguarda não poderá alcançá-lo, realizando os mesmos esforços.
Conversando, oportunamente, com um grupo de amigos, o nosso venerável Chico Xavier dizia para os companheiros que o questionavam que o dia em que não chora, não viveu. Depreendemos disso que quanto mais se alteia a mediunidade, colocando aquele que dela é portador numa posição de destaque, numa posição de claridade, naturalmente, os que não desejam a luz mais atirarão pedras à “lâmpada”, tentando quebrá-la, quando não desejam derrubar o “poste” que a sustenta.
Daí, o médium mais importante ser aquele que mais disposto esteja para enfrentar essas Lutas em nome do Cristo, Médium de Deus por excelência, e o mais importante Senhor da mediunidade que conhecemos.
Não caberá nenhum desânimo a nenhum de nós outros que ainda nos localizamos numa faixa singela de mediunidade, galgando os primeiros passos. Isto porque já ouvimos companheiros que gostariam de receber mensagens como o Chico recebe, desejariam receber obras daquele talante, desejariam ser médiuns da envergadura desse ou daquele companheiro que se projeta na sociedade, mas desconhecem a cota de sacrifícios diários, de lutas, de lágrimas, de renúncias a que eles têm de se predispor e se dispor. Por isso, em Espiritismo, não há médiuns superiores a outros, nem mediunidades mais importantes que outras; existem oportunidades para que todos nós tomemos a charrua da evolução sem olharmos para trás, crescendo sempre.

1 - Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, capítulo 12º, versículos 1 a 11

sexta-feira, 2 de abril de 2010

DIFICULDADE DE ENGRAVIDAR - Richard Simonetti



POR QUE MULHERES QUE ANSEIAM PELA MATERNIDADE EXPERIMENTAM SUCESSIVAS FRUSTAÇÕES?

Geralmente estamos diante de problemas cármicos, a partir de comprometimentos em existências anteriores. A causa é o aborto induzido. A mulher que se recusa ao compromisso da maternidade, expulsando o filho que estagia em seu corpo, às portas da reencarnação, comete uma auto-agressão. Produz desajustes em seu perispírito, o corpo espiritual, em área correspondente à natureza de seu delito. Em vida futura, mais amadurecida, a ansiar pela maternidade, terá problemas. Grávida, não conseguirá segurar a gestação do filho que anseia, na mesma proporção em que expulsou, outrora, filhos de seu seio. O problema pode estar, também, no reencarnante. Se foi um suicida, traz sérios comprometimentos perispirituais que poderão repercutir no corpo em formação, a promover o aborto. Fracassos sucessivos, tanto da gestante quanto do reencarnante, os ensinarão a valorizar e respeitar a vida.





quinta-feira, 1 de abril de 2010

NA HORA DA CRUZ


Quando o Mestre se afastou do Pretório (tribunal), suportando o madeiro a que fora sentenciado pelo povo em desvario, muitas reflexões lhe assomavam ao pensamento.
Que fez senão o bem?
Que desejou aos perseguidores senão a bênção da alegria e a visitação da luz?
Quando receberão os homens o dom da fraternidade e da paz?
Devotou-se aos doentes com carinho, afeiçoou-se aos discípulos com fervor . . . Entretanto, sentia-se angustiadamente só.
Doíam-lhe os ombros dilacerados.
Por que fora libertado Barrabás, o rebelde, e condenado ele, que reverenciava a ordem e a disciplina?
Em derredor, judeus irritados ameaçavam-no erguendo os punhos, enquanto legionários semi-ébrios proferiam maldições.
A saliva dos perversos maltratava-lhe o rosto e, inclinando-o para o solo, a cruz enorme pesava . . .
“O´ Pai! – refletia, avançando dificilmente – que fiz para receber semelhante flagelação?”
Anciãs humildes tentavam confortá-lo, mas curvado como estava, não conseguia ver seus semblantes.
“Porque a cruz? – continuava meditando, agoniado – porque lhe cabia tolerar o martírio reservado aos criminosos?”
Lembrou as crianças e as mulheres simples da Galiléia, que lhe compreendiam o olhar, recordando, saudoso, o grande lago, onde sentia a presença do Todo-Compassivo, na bondade da natureza . . .
Lágrimas quentes jorravam-lhe dos olhos feridos, lágrimas que suas mãos não conseguiam enxugar.
Turvara-se-lhe a visão e, incapaz de manter o equilíbrio sobre o pedregulho do caminho estreito, tropeçou e caiu de joelhos.
Guardas rudes chicoteava-lhe a face com mais violência.
Alguns deles, porém, acreditando estar ele muito cansado, obrigaram Simão, o Cireneu, que voltava do campo, a auxiliá-lo na condução do madeiro.
Constrangido, o lavrador tomou sobre os ombros o terrível instrumento de tortura e só então conseguiu Jesus levantar a cabeça e contemplar a multidão que se adensava em torno.
E observando a multidão irada, oh! Sublime transformação! . . . Notou que todos os circunstantes estavam algemados a tremendas cruzes, invisíveis ao olhar comum.
* O primeiro que pode analisar particularmente foi Joab, o cambista, velho companheiro de Anás, nos negócios do Templo. Ele se achava atado ao lenho da usura. Gritava, aflito, escancarando a garganta sequiosa de ouro;
* Não longe, Apolônio, o soldado da corte, mostrava-se agarrado à enorme cruz da luxúria, repleta de vermes roazes a lhe devorarem o próprio corpo;
* Caleb, o bajulador, berrava frenético, entretanto, apresentava-se jungido ao madeiro do remorso por homicídios ocultos;
* Amós, o mercador de cabras, arrastava a cruz da enfermidade que o forçava a sustentar-se em vigorosas muletas;
* José de Arimatéia, o amigo generoso, que o seguia, discreto, achava-se preso ao frio lenho dos deveres políticos, e Nicodemos, o doutor da Lei, junto dele, vergava, mudo, sob o estafante madeiro da vaidade.

Todas as criaturas daqueles estranhos ajuntamento traziam consigo flagelações diversas.
O mestre reconheci-as, acabrunhado.
Eram cruzes de ignorância e miséria, de revolta e de grande desejo de bens ou gozos materiais, de aflição e despeito, de inveja e iniquidade.
Tentou concentrar-se em maior exame, contudo, piedosas mulheres em lágrimas acercavam-se dele, de improviso.
- Senhor, que será de nós, quando partires? – gritava uma delas.
- Senhor, compadece-te de nossa desventura! – suplicava outra.
- Senhor, nós te lamentamos! . . .
- Mestre, pobre de ti!
O Cristo fitou-as, admirado.
Todas exibiam asfixiantes padecimentos.
Viu que, entre elas, Maria de Cleofas trazia a cruz da maternidade dolorosa, que Maria de Magdala pranteava sob a cruz da tristeza e que Joana de Cusa, que viera igualmente às celebrações da Páscoa, sofria sob o madeiro do casamento infeliz . . .
Açoites lamberam-lhe a cabeça coroada de espinhos.
A multidão começava a mover-se, de novo.
Era preciso caminhar.
Foi então que o Celeste Benfeitor, acariciando a própria cruz que Simão passara a carregar, nela sentiu precioso rebento de esperança, com que o Pai Amoroso lhe agraciava o testemunho, a fim de que as sementes da renovação espiritual felicitassem a Humanidade. E, endereçando compadecido olhar às mulheres que o cercavam, pronunciou as inesquecíveis palavras do Evangelho:
- Filhas de Jerusalém, não chores por mim! . . . Chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos, porque dias virão em que direis: bem-aventurados os ventres que não geraram e os seios que não amamentaram! . . .– Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará com o lenho seco?

Jesus é a videira eterna, cheia de seiva divina, espalhando ramos fartos, perfumes consoladores e frutos substanciosos entre os homens, e o mundo não lhe ofereceu senão a cruz da flagelação e da morte infante.
Desde milênios remotos é o Salvador, o puro por excelência.
Que não devemos esperar, por nossa vez, criaturas endividadas que somos, representando galhos ainda secos na árvore da vida?
Em cada experiência, necessitamos de processos no serviço de reparação e corrigenda.
Somos madeiros sem vida própria, que as paixões humanas inutilizaram, em fúria destruidora.
Os homens do campo metem a vara punitiva nos pessegueiros, quando suas frondes raquíticas não produzem. O efeito é benéfico e compensador.
O martírio do Cristo ultrapassou os limites de nossa imaginação. Como tronco sublime da vida, sofreu por desejar transmitir-nos sua seiva fecundante.
Como lenhos ressequidos, ao calor do mal, sofremos por necessidade, em favor de nós mesmos.
O mundo organizou a tragédia da cruz para o Mestre, por espírito de maldade e ingratidão; mas, nós outros, se temos cruzes na senda redentora, não é porque Deus seja rigoroso na execução de suas leis, mas por ser Amoroso Pai de nossas almas, cheio de sabedoria e compaixão nos processos educativos.

Emmanuel: Caminho, Verdade e Vida/ Irmão X: Cartas e Crônicas/Livros psicografados por Chico Xavier