segunda-feira, 5 de abril de 2010

RAUL TEIXEIRA DIZ: "TRABALHO DE CHICO INSPIROU PESSOAS E OBRAS SOCIAIS"


O niteroiense Raul Teixeira, de 60 anos, é um dos fundadores da Sociedade Espírita Fraternidade (SEF), em São Domingos, Niterói. A instituição mantém uma obra social, o Remanso Fraterno, voltada para famílias de baixa renda.
Em entrevista concedida por e-mail dos Estados Unidos, onde faz palestras para divulgar a doutrina espírita, o renomado orador e médium falou sobre Chico Xavier e o momento atual do espiritismo.


Como vê o momento atual da doutrina espírita, oito anos após o desencarne de Chico Xavier?

Identifico um movimento espírita crescente, dinâmico, tanto no Brasil quanto fora, onde têm sido apresentados seus fundamentos. Naturalmente, um movimento calcado em ideias, em filosofia, na medida em que vai se tornando massivo, passa receber afluentes opiniáticos que tentam se impôr, influenciar, modificar, como ocorreu com todas as doutrinas existentes no mundo. Passados oito anos da desencarnação de Chico Xavier, podemos ver com muita clareza a influência benéfica do seu prodigioso trabalho psicográfico, sem dúvida, mas, fundamentalmente, a força do homem amoroso que soube ser e do seu poder inspirador, uma vez que incontáveis criaturas transformaram suas vidas para melhor, em razão da inspiração em Chico. Múltiplas obras sociais de benemerência, de auxílio e de socorro aos necessitados de vários matizes surgiram sob essa mesma inspiração.


O senhor tinha muito contato com Chico? Lembra-se de alguma passagem marcante vivida com ele?

Mantive muitos contatos com Chico, posto que passei a visitar a cidade de Uberaba desde 1969, duas vezes ao ano, valendo-me dos períodos de minhas férias escolares. Tanto ia proferir palestras na cidade quanto visitar o generoso benfeitor, que se me tornou muito querido amigo, tendo-me convidado para participar de algumas reuniões e atividades mais privativas que realizou em sua casa, como quem desejasse incentivar para o exigente trabalho do bem um jovem iniciante nos passos da doutrina espírita. Numa dessas estadas em sua casa, quando ele e alguns amigos realizavam um momento de estudos espíritas e de psicografias, pude vê-lo atender a uma família que lhe chegara à casa em franco desespero. Um pai levando preso nos braços um menino, que aparentava estar nos seus 7 ou 8 anos de idade, que o chutava, mordia e grunhia. Um jovem senhora, em pranto, e uma senhora idosa que soubemos ser a avó materna do menino. Alguns confrades cederam lugares para a pequena caravana de sofredores. Um silêncio pairou na sala, entrecortado pelos sons de soluços e grunhidos da criança em comovedor estado obsessivo. Chico ergueu-se de onde estava sentado, e dirigiu-se ao pequeno grupo. Em rápidas e doridas palavras, a mãe do pequeno descreveu seu calvário de meses de desgastes, de incontáveis noites insones, dos inúmeros consultórios médicos visitados na procura de solução para o caso do filho querido, sem qualquer êxito. Revezavam-se os três adultos, em casa, para tomar conta do menino que intentava sempre uma forma de ferir-se gravemente, destruir a vida, caso ficasse sem vigilância permanente. Depois de ouvir o breve relato, Chico Xavier solicitou a uma das convidadas para proferir uma oração, e pela primeira vez vi-o erguer as mãos sobre a dupla pai e filho, no trabalho dos passes, da fluidoterapia.De inopino, a sala foi invadida por um intenso perfume de rosas, mas eram rosas vivas, que chegavam a nos arder os olhos. Tudo ficou impregnado daquele perfume. o menino foi se acomodando nos braços do genitor, o homem chorava agora de emoção, assim como as duas mulheres que o acompanhavam. Chico ainda aplicou passes nas duas senhoras e, ao concluir, o ambiente estava em completo silêncio, como um campo de paz. O grupo familiar, que chegara de uma cidade interiorana do estado de Goiás, levantou-se agradecido e em lágrimas, enquanto o menino dormia sereno. No momento em que o pai agradecia a intervenção espiritual de Chico, este recomendou-lhe que conduzisse o filho ao centro espírita existente em sua proximidade, em Goiás, a fim de dar continuidade ao tratamento fluidoterápico da criança, garantindo que, se o fizessem, o menino se recuperaria do difícil processo perturbador. Para mim, em particular, foi uma noite memorável, de profundos aprendizados, tendo em vista a simplicidade com que Chico Xavier atendeu aquelas pessoas. Não fez estardalhaço, não bufou nem fungou, não ficou com a respiração ofegante, não demonstrou nenhuma estranheza diante do caso. Em nenhum momento assustou a família ou fez prognóstico catastrófico, mesmo sabendo da gravidade do caso. Agiu como um facultativo experiente à frente de um diagnóstico conhecido, consciente do que podia fazer para minorar o drama, indicando, após, a continuidade do tratamento. Esse foi o Chico Xavier que conheci e que me cativou, desde os distanciados dias da minha juventude.


Muitos o consideram sucessor do Chico, ao lado de Divaldo. O senhor concorda com essa ideia de "sucessão"? Por quê?

O movimento espírita corresponde ao labor que desenvolvemos em torno da doutrina espírita. Todo e qualquer esforço ou realização no sentido de ensinar e divulgar o espiritismo passa a compor essa dinâmica que denominamos movimento espírita. A doutrina espírita por si mesma não tem qualquer hierarquia, não evoca qualquer direito canônico para o enquadramento dos seus pares. Os compromissos dos espíritas para com a doutrina estão calcados nas leis que regulam a nossa consciência. Os fundamentos espíritas, tais como a existência de Deus, a existência e imortalidade da alma, a pluralidade das existências, a pluralidade dos mundos habitados e a comunicabilidade dos espíritos, impulsionam-nos e facilitam-nos o melhor entendimento do mundo e das suas relações sociais, levam-nos a compreender mais e melhor as provas e as expiações encontradas na terra e nos facultam a vivência do amor ao próximo sob o nome de fraternidade. Na doutrina espírita não existe uma ordenação sacerdotal de qualquer espécie; ninguém sucede a ninguém, hierarquicamente, uma vez que cada criatura chega ao mundo com seu canhenho de compromissos, de responsabilidades, o que levou Jesus Cristo a afirmar que "a cada um será concedido conforme as suas obras". Assim, procuro compreender a generosidade de muitos companheiros que conseguem ver em mim qualquer possibilidade de substituir fulano ou beltrano, mas sou obrigado a admitir que avaliam indevidamente e têm muito pouca reflexão espírita. O nosso trabalho deve ser realizado pelo compromisso que toda criatura humana deve ter com o bem, pois as leis de Deus nos recomendam a sua prática. Em nenhum momento, porém, procuraremos fazer isso ou aquilo para suceder a quem quer que seja, salvo nos casos de falta de senso crítico ou de lamentável presunção vaidosa.
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sábado, 3 de abril de 2010

HÁ MEDIUNIDADES MAIS IMPORTANTES QUE OUTRAS? - J. Raul Teixeira


Verdadeiramente não pode haver mediunidades mais importantes que outras, nem médiuns mais fortes do que outros. Existem médiuns e mediunidades. Segundo Paulo de Tarso, existem os "dons" e ele se refere à visão, à audição, à cura, à palavra, ao ensino, mas disse que um só é o Senhor’. Eles provêm da mesma fonte. Os indivíduos que psicografam, que psicofonizam, que materializam, poderão todos realizar um trabalho apostolar, na realidade em que se encontram.
Não é o número de possibilidades que dá importância ao médium. O que engrandece espiritualmente o médium é aquilo que ele faz com os dons que possua. Verificamos que a importância do médium se localiza na honra que tem de poder servir.
Não existem médiuns mais fortes que outros, na Doutrina Espírita, mas, sim, os que são mais dedicados que outros, mais afervorados que outros, que estão renunciando à matéria e efetuando o esforço do auto-aprimoramento mais que outros. Isso ocorre. E é esse esforço para algo mais alto que confere ao médium, ou a outro servidor qualquer, melhores condições de estar à frente na lide. Mas isso não significa que o que venha na retaguarda não poderá alcançá-lo, realizando os mesmos esforços.
Conversando, oportunamente, com um grupo de amigos, o nosso venerável Chico Xavier dizia para os companheiros que o questionavam que o dia em que não chora, não viveu. Depreendemos disso que quanto mais se alteia a mediunidade, colocando aquele que dela é portador numa posição de destaque, numa posição de claridade, naturalmente, os que não desejam a luz mais atirarão pedras à “lâmpada”, tentando quebrá-la, quando não desejam derrubar o “poste” que a sustenta.
Daí, o médium mais importante ser aquele que mais disposto esteja para enfrentar essas Lutas em nome do Cristo, Médium de Deus por excelência, e o mais importante Senhor da mediunidade que conhecemos.
Não caberá nenhum desânimo a nenhum de nós outros que ainda nos localizamos numa faixa singela de mediunidade, galgando os primeiros passos. Isto porque já ouvimos companheiros que gostariam de receber mensagens como o Chico recebe, desejariam receber obras daquele talante, desejariam ser médiuns da envergadura desse ou daquele companheiro que se projeta na sociedade, mas desconhecem a cota de sacrifícios diários, de lutas, de lágrimas, de renúncias a que eles têm de se predispor e se dispor. Por isso, em Espiritismo, não há médiuns superiores a outros, nem mediunidades mais importantes que outras; existem oportunidades para que todos nós tomemos a charrua da evolução sem olharmos para trás, crescendo sempre.

1 - Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, capítulo 12º, versículos 1 a 11

sexta-feira, 2 de abril de 2010

DIFICULDADE DE ENGRAVIDAR - Richard Simonetti



POR QUE MULHERES QUE ANSEIAM PELA MATERNIDADE EXPERIMENTAM SUCESSIVAS FRUSTAÇÕES?

Geralmente estamos diante de problemas cármicos, a partir de comprometimentos em existências anteriores. A causa é o aborto induzido. A mulher que se recusa ao compromisso da maternidade, expulsando o filho que estagia em seu corpo, às portas da reencarnação, comete uma auto-agressão. Produz desajustes em seu perispírito, o corpo espiritual, em área correspondente à natureza de seu delito. Em vida futura, mais amadurecida, a ansiar pela maternidade, terá problemas. Grávida, não conseguirá segurar a gestação do filho que anseia, na mesma proporção em que expulsou, outrora, filhos de seu seio. O problema pode estar, também, no reencarnante. Se foi um suicida, traz sérios comprometimentos perispirituais que poderão repercutir no corpo em formação, a promover o aborto. Fracassos sucessivos, tanto da gestante quanto do reencarnante, os ensinarão a valorizar e respeitar a vida.





quinta-feira, 1 de abril de 2010

NA HORA DA CRUZ


Quando o Mestre se afastou do Pretório (tribunal), suportando o madeiro a que fora sentenciado pelo povo em desvario, muitas reflexões lhe assomavam ao pensamento.
Que fez senão o bem?
Que desejou aos perseguidores senão a bênção da alegria e a visitação da luz?
Quando receberão os homens o dom da fraternidade e da paz?
Devotou-se aos doentes com carinho, afeiçoou-se aos discípulos com fervor . . . Entretanto, sentia-se angustiadamente só.
Doíam-lhe os ombros dilacerados.
Por que fora libertado Barrabás, o rebelde, e condenado ele, que reverenciava a ordem e a disciplina?
Em derredor, judeus irritados ameaçavam-no erguendo os punhos, enquanto legionários semi-ébrios proferiam maldições.
A saliva dos perversos maltratava-lhe o rosto e, inclinando-o para o solo, a cruz enorme pesava . . .
“O´ Pai! – refletia, avançando dificilmente – que fiz para receber semelhante flagelação?”
Anciãs humildes tentavam confortá-lo, mas curvado como estava, não conseguia ver seus semblantes.
“Porque a cruz? – continuava meditando, agoniado – porque lhe cabia tolerar o martírio reservado aos criminosos?”
Lembrou as crianças e as mulheres simples da Galiléia, que lhe compreendiam o olhar, recordando, saudoso, o grande lago, onde sentia a presença do Todo-Compassivo, na bondade da natureza . . .
Lágrimas quentes jorravam-lhe dos olhos feridos, lágrimas que suas mãos não conseguiam enxugar.
Turvara-se-lhe a visão e, incapaz de manter o equilíbrio sobre o pedregulho do caminho estreito, tropeçou e caiu de joelhos.
Guardas rudes chicoteava-lhe a face com mais violência.
Alguns deles, porém, acreditando estar ele muito cansado, obrigaram Simão, o Cireneu, que voltava do campo, a auxiliá-lo na condução do madeiro.
Constrangido, o lavrador tomou sobre os ombros o terrível instrumento de tortura e só então conseguiu Jesus levantar a cabeça e contemplar a multidão que se adensava em torno.
E observando a multidão irada, oh! Sublime transformação! . . . Notou que todos os circunstantes estavam algemados a tremendas cruzes, invisíveis ao olhar comum.
* O primeiro que pode analisar particularmente foi Joab, o cambista, velho companheiro de Anás, nos negócios do Templo. Ele se achava atado ao lenho da usura. Gritava, aflito, escancarando a garganta sequiosa de ouro;
* Não longe, Apolônio, o soldado da corte, mostrava-se agarrado à enorme cruz da luxúria, repleta de vermes roazes a lhe devorarem o próprio corpo;
* Caleb, o bajulador, berrava frenético, entretanto, apresentava-se jungido ao madeiro do remorso por homicídios ocultos;
* Amós, o mercador de cabras, arrastava a cruz da enfermidade que o forçava a sustentar-se em vigorosas muletas;
* José de Arimatéia, o amigo generoso, que o seguia, discreto, achava-se preso ao frio lenho dos deveres políticos, e Nicodemos, o doutor da Lei, junto dele, vergava, mudo, sob o estafante madeiro da vaidade.

Todas as criaturas daqueles estranhos ajuntamento traziam consigo flagelações diversas.
O mestre reconheci-as, acabrunhado.
Eram cruzes de ignorância e miséria, de revolta e de grande desejo de bens ou gozos materiais, de aflição e despeito, de inveja e iniquidade.
Tentou concentrar-se em maior exame, contudo, piedosas mulheres em lágrimas acercavam-se dele, de improviso.
- Senhor, que será de nós, quando partires? – gritava uma delas.
- Senhor, compadece-te de nossa desventura! – suplicava outra.
- Senhor, nós te lamentamos! . . .
- Mestre, pobre de ti!
O Cristo fitou-as, admirado.
Todas exibiam asfixiantes padecimentos.
Viu que, entre elas, Maria de Cleofas trazia a cruz da maternidade dolorosa, que Maria de Magdala pranteava sob a cruz da tristeza e que Joana de Cusa, que viera igualmente às celebrações da Páscoa, sofria sob o madeiro do casamento infeliz . . .
Açoites lamberam-lhe a cabeça coroada de espinhos.
A multidão começava a mover-se, de novo.
Era preciso caminhar.
Foi então que o Celeste Benfeitor, acariciando a própria cruz que Simão passara a carregar, nela sentiu precioso rebento de esperança, com que o Pai Amoroso lhe agraciava o testemunho, a fim de que as sementes da renovação espiritual felicitassem a Humanidade. E, endereçando compadecido olhar às mulheres que o cercavam, pronunciou as inesquecíveis palavras do Evangelho:
- Filhas de Jerusalém, não chores por mim! . . . Chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos, porque dias virão em que direis: bem-aventurados os ventres que não geraram e os seios que não amamentaram! . . .– Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará com o lenho seco?

Jesus é a videira eterna, cheia de seiva divina, espalhando ramos fartos, perfumes consoladores e frutos substanciosos entre os homens, e o mundo não lhe ofereceu senão a cruz da flagelação e da morte infante.
Desde milênios remotos é o Salvador, o puro por excelência.
Que não devemos esperar, por nossa vez, criaturas endividadas que somos, representando galhos ainda secos na árvore da vida?
Em cada experiência, necessitamos de processos no serviço de reparação e corrigenda.
Somos madeiros sem vida própria, que as paixões humanas inutilizaram, em fúria destruidora.
Os homens do campo metem a vara punitiva nos pessegueiros, quando suas frondes raquíticas não produzem. O efeito é benéfico e compensador.
O martírio do Cristo ultrapassou os limites de nossa imaginação. Como tronco sublime da vida, sofreu por desejar transmitir-nos sua seiva fecundante.
Como lenhos ressequidos, ao calor do mal, sofremos por necessidade, em favor de nós mesmos.
O mundo organizou a tragédia da cruz para o Mestre, por espírito de maldade e ingratidão; mas, nós outros, se temos cruzes na senda redentora, não é porque Deus seja rigoroso na execução de suas leis, mas por ser Amoroso Pai de nossas almas, cheio de sabedoria e compaixão nos processos educativos.

Emmanuel: Caminho, Verdade e Vida/ Irmão X: Cartas e Crônicas/Livros psicografados por Chico Xavier


terça-feira, 30 de março de 2010

31 DE MARÇO DE 1869 - DESENCARNAVA ALLAN KARDEC


Há 141 anos desencarnava Allan Kardec. Por isso, colocamos aqui este texto em sua homenagem, escrito pelo espírito Hilário Silva; que está no livro: O Espírito da Verdade; psicografias de: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira


Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado.
Fazia frio.
Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos.
A pressão aumentava . . .
Missivas (cartas) sarcásticas avolumavam-se à mesa. Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail - a doce Gaby -, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada.O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela. E leu:
"Sr. Allan Kardec;
Respeitoso abraço.
Com a minha gratidão remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso. Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital. Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoinette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia. Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo. Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade . . . A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano. Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa.
Minhas forças fugiam. Namorara diversas vezes o rio Sena e acabei planejando o suicídio. "Seria fácil, não sei nadar" - pensava. Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a Ponte Marie.
Olhei em torno, contemplando a corrente . . . E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés. Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera. Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça de poste vizinho, pude ler, logo no frontispício (fachada), entre irritado e curioso: "Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. - A.Laurent". Estupefato, li a obra - "O Livro dos Espíritos" - ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver."Ainda constavam da mensagem agradecimentos finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente.
O Codificador desempacotou, então, um exemplar de "O Livro dos Espíritos" ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na página do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, mas também outra, em letra firme: "Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. - Joseph Perrier."
Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro . . . Conchegando o livro ao peito, raciocinava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança. Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas . . . Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo. Allan Kardec levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinhos . . . O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos, e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima . . .

Em 31 de março de 1869, desencarnava Hippolyte Léon Denizard Rivail, cujo pseudônimo era Allan Kardec. E a melhor homenagem para honrar-lhe a memória, é que, procuremos nos aperfeiçoar e servir, para que todos reconheçam no Espiritismo a doutrina capaz de modificar o homem para melhor e influir benéfica e poderosamente na sociedade.

Leia Kardec para entender os ensinamentos de Jesus.

segunda-feira, 29 de março de 2010

SOMOS CULPADOS OU INOCENTES?



Assistindo o caso Isabella e o julgamento de seu pai e madrasta, lembrei-me de duas observações feitas por Chico Xavier, que está no livro “O Evangelho de Chico Xavier.” Com isso, não quero justificar a atitude de quem tenha cometido o crime, não sou defensora do casal acusado, mas também não estou condenando. Deixo a justiça a quem compete fazê-la. Os mesmos que condenam, gritam, agridem o casal, o advogado e a família de ambos, se fossem pais, irmãos ou familiares do casal, também estariam em busca de um bom advogado para livrá-los da cadeia. Então, só quero repartir com quem ler este texto a reflexão que fiz e que tenho certeza que muitos também farão.
1ª OBSERVAÇÃO: "JÁ PRESENCIEI ALGUNS CASOS DE OBSESSÃO COM CRIANÇAS, MAS MUITO RARAMENTE ACONTECEM. NO PERÍODO DA INFÂNCIA, O ESPÍRITO CONTA COM A PROTEÇÃO NATURAL QUE O IMUNIZA CONTRA ATAQUES DE SEUS DESAFETOS DESENCARNADOS. MAS, QUANDO O ÓDIO É MUITO ENTRANHADO, QUANDO O COMPROMISSO É RECENTE, O ESPÍRITO OBSESSOR SE MOSTRA IMPLACÁVEL. ENQUANTO NÃO CONSEGUE OS SEUS OBJETIVOS DE VINGANÇA, ELE NÃO ABANDONA A VÍTIMA. POR ESTE MOTIVO, VEMOS CRIANÇAS MORREREM BARBARAMENTE OU, AINDA, SEREM ALVO DE SEQUESTROS, ESTUPROS, PANCADARIA POR PARTE DOS PAIS, COM SEQUELAS CEREBRAIS IRREVERSÍVEIS.”
Esta observação de Chico Xavier nos faz pensar que a criança, que julgamos inocente, nada mais é que um espírito encarnado que traz uma história de outra encarnação que pode ser de maldade, de abusos, de trapaças, vícios e outras mazelas. É apenas um espírito velho em um corpo novo. Aquele que foi lesado por este espírito poderá ter se tornado um obsessor que o acompanha buscando vingança. Quando não consegue atingi-lo diretamente, poderá influenciar os que convivem com ele para atingi-lo. Atenção, não estou afirmando que é o caso de Isabella.
2ª OBSERVAÇÃO: "OS ESPÍRITOS OBSESSORES, MUITOS DELES, SÃO ALTAMENTE TREINADOS NA TÉCNICA DE HIPNOTIZAR: QUASE SEMPRE ELES HIPNOTIZAM AS SUAS VÍTIMAS QUANDO ELAS SE RETIRAM DO CORPO NO MOMENTO DO SONO. POR ESTE MOTIVO, MUITA GENTE ACORDA MAL-HUMORADA E VIOLENTA. SE SOUBÉSSEMOS O QUE NOS ESPERA NO ALÉM, NÃO DORMIRÍAMOS SEM RECORRER AOS BENEFÍCIOS DA PRECE. OS ESPÍRITOS QUE SÃO NOSSOS DESAFETOS NOS ESPREITAM; SE NÃO TIVERMOS DEFESA, ELES FARÃO CONOSCO O QUE BEM ENTENDEREM. HÁ OBSESSÕES TERRÍVEIS QUE SÃO PROGRAMADOS DURANTE O SONO; TODA NOITE É UMA SESSÃO DE HIPNOSE. DE REPENTE, É UMA AGRESSÃO VIOLENTA DENTRO DE CASA, UM CRIME INEXPLICÁVEL.”
Esta outra observação de Chico Xavier nos mostra que, todos nós estamos sujeitos a este assédio. Não sabemos quem fomos ou quem foram nossos entes queridos. Não sabemos se fizemos um inimigo no passado que hoje nos assedia ou assediará. Sabemos apenas que todos temos débitos contraídos nesta ou em outra encarnação e que teremos que reparar, ou seja, não somos vítimas nem inocentes. O único espírito que encarnou neste planeta e não tinha débitos com a lei divina foi Jesus Cristo. Portanto, não julguemos as atitudes alheias. Desconhecemos o motivo que possa ter levado aquela pessoa a cometer uma violência. Não sabemos se nós ou um dos nossos cometeremos algo igual ou parecido. Aprendemos que os obsessores só conseguem nos influenciar através de nossas falhas morais e nossa invigilância. E, como ainda somos espíritos imperfeitos, falíveis e muitas vezes invigilantes, não atiremos pedra no telhado dos outros porque o nosso é de vidro. Como disse William Shakespeare: “Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia"

sexta-feira, 26 de março de 2010

"QUEM NUNCA ERROU?" - disse o pastor em defesa dos Nardoni



Adenildo chegou ao fórum por volta do meio-dia. Com um evangelho na mão, iniciou sua pregação. "Quem nunca errou? Apontem aqui quem nunca cometeu um erro na vida. Pode ter até algum ladrão aqui nessa multidão pedindo justiça."
No início, os manifestantes apenas observavam espantados a coragem do pastor de defender o casal, mas aos poucos passaram do espanto para hostilidade e agressões físicas.
Ster Silvano Filante, que trabalha como acompanhante de idosos, mas está na porta do fórum desde segunda-feira, grudou com as duas mãos na lapela do terno do pastor e passou a ameaçá-lo. O gesto dela desencadeou uma onda de agressões por parte de outros manifestantes. O carroceiro Evanderson dos Santos jogou um copo de água em Adenildo.
Uma turma de cerca de 20 pessoas começou a empurrá-lo e persegui-lo para longe do fórum. A polícia demorou agir e, quando chegou ao local, se limitou a tentar tirar Adenildo daquela situação. Em momento algum tomou qualquer atitude contra os agressores – a exemplo do que já tinha feito com advogado e o operador de telemarketing. As hostilidades só pararam quando o pastor foi levado para dentro do quartel da PM que fica atrás do fórum
"Eu não queria agredir. Só queria que ele me ouvisse, mas ele se recusava a me ouvir", justificou Ster. "Esse cara vem aqui dizer que Deus perdoa, ninguém aqui quer o perdão de Deus. A gente quer cadeia para os assassinos. Para mim, ele deve ter recebido alguma coisa dos Nardoni", acusou Evanderson.
Além de pedir a punição do casal Nardoni, os manifestantes aproveitam o julgamento para defender causas como redução da maioridade penal, adoção da prisão perpétua e a pena de morte.
PERGUNTEMOS: "SE ESTE FATO TIVESSE ACONTECIDO EM NOSSA FAMÍLIA, DE QUE LADO ESTARÍAMOS?" "ESTARÍAMOS NA PORTA DO TRIBUNAL AJUDANDO O POVO ENFURECIDO A GRITAR PARA CONDENAR NOSSO ENTE QUERIDO OU BUSCANDO O MELHOR ADVOGADO PARA LIVRÁ-LO?" ENTÃO, AQUELE PEDIDO DE JESUS AINDA ESTÁ ATUAL: "NÃO FAÇAMOS AOS OUTROS O QUE NÃO QUEREMOS QUE OS OUTROS NOS FAÇAM." NOS COLOQUEMOS NO LUGAR DA MÃE DE ISABELLA, MAS LEMBREMOS DAS MÃES DE ALEXANDRE NARDONE E ANA CAROLINA JATOBÁ. SEREMOS MAIS ÚTEIS SE ORARMOS POR TODOS ELES. É UMA ATITUDE MAIS CRISTÃ. DEIXEMOS O RESTANTE A QUEM COMPETE RESOLVER........

quinta-feira, 25 de março de 2010

"AS PORTAS DA IGREJA ESTÃO FECHADAS PARA CHICO XAVIER."



Os conflitos com a igreja que o médium Chico Xavier teve ao longo de sua trajetória não acabaram, a produção do filme "Chico Xavier" foi impedida de filmar dentro de um templo no interior de Minas Gerais, onde ele nasceu. “As portas da igreja estão fechadas para Chico Xavier”, teria dito um sacerdote à equipe, segundo lembrou o diretor. A solução foi construir o cenário em estúdio.




OBS.: Chico Xavier acolheu com todo amor mães, pais, filhos, irmãos com cartas consoladoras, alimentos, remédios, dinheiro sem perguntar que religião seguiam e sem impor que elas se tornassem espíritas. Pessoas como Chico Xavier são os legítimos "representantes de Deus na Terra". Apesar do comportamento pouco cristão desse sacerdote, lembramos aqui uma frase de Chico à Igreja Católica: "...À Igreja Católica dedico o meu respeito, sem compartilhar-lhe da militância, na atualidade."

domingo, 21 de março de 2010

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL COM SÊMEN DE UM DESENCARNADO


O folhetim “Escrito nas Estrelas”, da Rede Globo, promete render polêmicas. Escrita por Elizabeth Jhin, a novela aborda o espiritismo e a tentativa de inseminação artificial com sêmen de um falecido. A apresentação do elenco e do clipe da trama à imprensa aconteceu nesta sexta-feira (19), em um dos estúdios do Projac, no Rio de Janeiro.


Extremamente abalado com a perda do filho Daniel (Jayme Matarazzo), Ricardo (Humberto Martins) descobre que ele havia congelado o próprio sêmen antes de morrer para um estudo e decide gerar um neto, na esperança de ter de volta um sorriso ou um olhar como o de Daniel. Começa, então, uma busca incansável do especialista pela “mulher ideal”, digna de ser inseminada para tornar-se mãe de seu neto.

OBS.: A CIÊNCIA MOSTRA A POSSIBILIDADE DE FAZER A INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL COM O SÊMEN DE UM "MORTO". MAS, SEGUNDO O ESPIRITISMO, O BEBÊ PODERÁ NASCER (OU NÃO) COM CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DO "MORTO", MAS O ESPÍRITO QUE IRÁ SE VINCULAR AO CORPO FÍSICO DAQUELE BEBÊ, NEM SEMPRE SERÁ A VOLTA, O RETORNO, A REENCARNAÇÃO DO DONO DO SÊMEN.






sábado, 20 de março de 2010

ESPIRITISMO NÃO FAZ USO DO CHÁ DO SANTO DAIME


Diz o professor de antropologia da Universidade Federal da Bahia Edward MacRae, autor de “Guiado pela Lua - Xamanismo e Uso Ritual da Ayahuasca no Culto do Santo Daime” (ed. Brasiliense):

"(...) Foi mestre Irineu que adaptou o uso da bebida (chá ayahuasca), antes utilizada de forma terapêutica pelos xamãs indígenas, aos cultos, que incorporam elementos do xamanismo caboclo, do catolicismo, do esoterismo e do espiritismo.

‘Umbandaime’

Nas grandes cidades, o chá do Santo Daime passou ainda por um terceiro ciclo de expansão, chegando a comunidades de espiritismo, umbanda e religiões orientais (...)"

Nossa conclusão: "Com todo respeito ao prof. Edward MacRae, mas ele precisa se informar mais sobre o que a Doutrina dos Espíritos prega. Se algum Centro Espírita faz uso desse chá é porque está faltando estudo das obras básicas. Embora muitos aleguem ser natural, por ser chá, lembremos que cicuta tb é da natureza e não deixa de ser veneno. Entendam, não somos contra quem use este chá, somos a favor do livre arbítrio, mas não gostaríamos que dessem informação contrária da que pregamos. Como este blog é espírita, temos obrigação de orientar sobre o assunto segundo a visão espírita. Queremos lembrar que os médiuns espíritas não precisam fazer uso de chás ou outro alucinógino para ter contato com o além.
Perante o corpo : precaver-se contra tóxicos, narcóticos, alcoólicos, e contra o uso demasiado de drogas que viciem a composição fisiológica natural do organismo.
Existem venenos que agem gota a gota. (André Luiz – Conduta Espírita)

UMA PEQUENA OBSERVAÇÃO: O Espiritismo é uma doutrina sem sacerdotes, sem dogmas, sem rituais, não adota em suas reuniões e em suas práticas qualquer tipo de paramentos ou vestes especiais (as vestes brancas devem ser as que nos cobrem o espírito e o nosso perispírito); não utilizamos sal grosso, plantas, amuletos, etc. (porque o nosso coração é nosso escudo, quando nele mora o amor); não adotamos cálice com vinho, bebidas alcoólicas ou alucinógenas (os espíritas não devem alimentar o vício do álcool nem do fumo, porque precisamos estar lúcidos para apreciar a beleza da vida); não utilizamos incenso, mirra, velas (porque são coisas materiais e nós usamos a prece para nos sustentar o espírito); não temos altares, imagens, andores, procissões, pagamento pelos trabalhos espirituais, talismãs, sacrifício animal, santinhos, administração de indulgências, confecção de horóscopos, exercício da cartomancia, quiromancia, astrologia, numerologia, cromoterapia, pagamento de promessas, despachos, riscos de cruzes e pontos, não temos curas espirituais com cortes, orações milagrosas para resolver problemas sentimentais, financeiros, etc.