domingo, 28 de novembro de 2010

IDOLATRIA NA VISÃO ESPÍRITA


 
“Não vos façais, pois, idólatras”
Paulo, I Coríntios, 10:7

Os Judeus, saindo da dominação egípcia, um povo idólatra, tinham muita tendência à idolatria. Basta ver o que aconteceu quando Moisés desceu do Monte Sinai com as Tábuas da Lei e encontrou o povo adorando o "BEZERRO DE OURO" como se ele fosse uma divindade, um amuleto. Indignado, matou 3 mil homens, contrariando um dos mandamentos da lei das tábuas: ‘Não matarás.” Mas o mesmo “Deus”, que proíbe que sejam feitas imagens, manda Moisés fazer dois querubins de ouro e colocá-los por cima da Arca da Aliança (Ex 25, 18-20). Manda-lhe, também, fazer uma serpente de bronze e colocá-la por cima de uma haste, para curar os mordidos pelas serpentes venenosas (Num 21, 8-9). Manda, ainda, Salomão enfeitar o templo de Jerusalém com imagens de querubins, palmas, flores, bois e leões (I Reis 6, 23-35 e 7, 29). Não é um incentivo a idolatria?
Os espíritas não adotam imagens, mas entendem que idolatria não é simplesmente adorar imagens de pedra, madeira, gesso, ouro, etc., mas qualquer coisa material. Por exemplo: há sim, quem idolatre "santos", "imagens" com interesse em fazer pedidos, sem buscar seguir seus exemplos de vida e pedidos; mas, há também, quem diga não ter tempo e dinheiro para dispensar à caridade, mas dispensam tempos e dinheiro iguais ou maiores para idolatrar cantores, atores, jogos, festas, etc.; há quem idolatre time de futebol a ponto de reagir violentamente aos que torcem para outros times; há quem idolatre a religião chegando a causar brigas, desentendimentos, inimizades e até guerras contrariando os preceitos morais pregados por ela; há quem reaja a um assalto, com intenção de matar ou morrer, por idolatrar bens materiais; há quem comete adultério escondido do(a) cônjuge ou com a conivência dele(a), em trocas de casais, etc., alegando “apimentar o relacionamento” por idolatrar o sexo; há quem idolatre o dinheiro, o ouro, a fama, etc., de tal forma que, muitas vezes, procuram alcançar o objetivo de maneira ilícita, indígna, imoral, etc.; há quem idolatre pessoas (político, de posição social abastada, etc.), por interesse pessoal; há espírita que alega várias desculpas para faltar uma palestra em sua cidade de um orador desconhecido, mas anda quilômetros e quilômetros em excursão, pagam estadia em hotel, para assistir aquele orador conhecido ou aquele médium “que faz cura” ou coisas relacionadas a fenômenos; há médiuns aceitando a idolatria e impedindo assim, a comunicação com os amigos do bem, no plano espiritual; há espíritas que querem ser idolatrados porque idolatra a vaidade; há espíritas idolatrando cargos e esquecendo os encargos; há quem desrespeite seu corpo físico, contrariando a saúde física, por idolatrar bebida alcoólica, cigarro, drogas em geral, excesso de alimentos. Como vemos, há vários tipos de idolatria. Quando apontamos um idolatra por "imagens", não nos damos conta que também somos idolatras de outras coisas que atrapalham nossa evolução espiritual.
Como disse Emmanuel: “É indispensável evitar a idolatria em todas as circunstâncias. Suas manifestações sempre representaram sérios perigos para a vida espiritual.”
 
Texto de Rudymara
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O CENTRO ESPÍRITA "FORTE" - Richard Simonetti


Um freqüentador da Casa Espírita, chegou ao dirigente da Casa e disse:

- Senhor Fabrício, há várias semanas venho comparecendo às reuniões de assistência espiritual, segundo suas recomendações e, até o momento, não experimentei nenhuma melhora. Continuo com a enxaqueca de sempre, acompanhada de insuperável angústia e incômodos desajustes digestivos . . .

Respondeu o dirigente:

- Meu irmão, é assim mesmo. Como venho lhe explicando, você está sob a ação de um obsessor do passado. É preciso dar tempo ao tempo . . .

Reclama o freqüentador:

- Mas, senhor Fabrício, informaram-me que este é um "centro forte". Que mentores poderosos trabalham aqui. Eles poderiam resolver minha situação rapidamente . . .

- Em qualquer agrupamento onde se procure observar a orientação espírita e as lições de Jesus, há benfeitores espirituais agindo em nosso benefício. Ocorre que a solução de nossos problemas não depende tanto da ajuda do céu; é necessário a boa vontade dos interessados da Terra. Não basta receber ajuda dos Espíritos, os benefícios do "passe" ou o conforto da mensagem espírita cristã. É preciso cultivar a oração, disciplinar as emoções, superar irritações e ressentimentos e, sobretudo, exercitar o Bem. O esforço da caridade é recurso fundamental para libertar-se do obsessor. A caridade que você praticar, poderá sensibilizar o obsessor, fazendo com que ele desista de sua má intenção.

O cavalheiro concorda sem convencer-se. E diz:

- Sim, sim. Mas o senhor há de convir que com as dificuldades que venho enfrentando é impossível seguir esta orientação!

- Realmente, não é fácil, nem tanto em virtude de seu estado, mas muito mais porque esta tentativa exige uma mudança radical em sua vida, levando-o a esquecer um pouco a busca pelas coisas passageiras da Terra para buscar coisas que serão para a Vida Eterna. Raros se dispõem a essa "guinada existencial".

Desanimado o freqüentador pergunta:

- Quer dizer que não há outro caminho?

Concluiu Fabrício:

- Penso que não. O próprio Cristo alertou-nos sobre este assunto quando falou sobre a porta estreita . . .

O freqüentador informou:

- Pois bem, seguirei sua orientação . . .

O cavalheiro freqüentador da Casa Espírita despediu-se e partiu. Nunca mais voltou! Seguiu em frente, à procura de um "centro forte" . . .

Muitos enxergam o Centro Espírita como um mero recurso de cura para males corporais e espirituais, cuja eficiência está subordinada à "força" de seus dirigentes e guias.

Fazem "via sacra" nos agrupamentos espiritistas, sem aprender a lição fundamental: a cura de seus males está subordinada, essencialmente, ao esforço de sua própria renovação.

(Richard Simonetti)

Como disse Bezerra de Menezes: O estudo da Doutrina faz adeptos conscientes para a Causa. Quem se aprofunda no conhecimento da Verdade solidifica a fé.”

Quem procurar o Espiritismo somente para obter cura imediata de seus males físicos e espirituais, ou para resolver de pronto seus problemas materiais, poderá ficar decepcionado.

Porque somente se realiza o que estiver dentro das leis divinas. E o Espiritismo não tem por finalidade principal a realização de fenômenos, mas, sim, o progresso moral da humanidade.

O Espiritismo esclarece que não retira problemas e dores do nosso caminho. Explica-nos o porquê das coisas e ensina-nos: como podemos melhorar a nós mesmo para gerarmos efeitos felizes; como prevenir e resolver problemas espirituais, desde que empreguemos vontade e esforço no sentido do Bem; ou ainda, como superar aquilo que, por ora, não pode ser mudado porque nos serve de expiação ou de prova.

sábado, 20 de novembro de 2010

QUEM FOI ZUMBI DOS PALMARES?


Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

O dia da consciência negra é comemorado dia 20 de novembro e foi escolhido por coincidir com o dia da morte de Zumbi , em 1695.

O próximo texto fala sobre o dia da consciência negra e a contribuição da doutrina espírita para a extinção dos preconceitos em geral.


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA



O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Apesar da várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que ele tinha escravos particulares). Esta data procura lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira. 
Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados hérois nacionais. 
O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos; até então, o movimento negro precisava se contentar com o dia 13 de Maio, Abolição da Escravatura – comemoração que tem sido rejeitada por enfatizar muitas vezes a "generosidade" da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração da atitude de uma branca. Eles queriam um líder negro na história.
 
Pergunto: Rejeitar a "generosidade" de uma branca não é preconceito por parte dos negros em relação aos brancos? Quem não quer ser discriminado, não deve discriminar. Senão, esta rivalidade não acabará nunca.


COMO A DOUTRINA ESPÍRITA PODE CONTRIBUIR COM O FIM DO PRECONCEITO?
A doutrina espírita contribui com a extinção dos preconceitos esclarecendo que a Lei Divina determinará implacavelmente que reencarnemos entre aqueles que discriminamos.
Há inúmeros relatos em obras mediúnicas, dando-nos notícias de fazendeiros que judiavam dos negros. Retornaram como escravos africanos.
Anti-semitas voltam como judeus para sentir na própria pele o que é esse preconceito.
Da mesma forma, judeus convictos de que pertencem a uma raça superior, escolhidos por Deus, ressurgem no seio dos povos que julgam inferiores.
Aprendemos com Jesus que o amor ao próximo equivale a amar a Deus.
Isso significa que é absolutamente impossível reverenciar o Criador discriminando suas criaturas.
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

MEIMEI - biografia


Homenageada por tantas casas espíritas, que adotam o seu nome; autora de vários livros psicografados por Chico Xavier, entre eles: "Pai Nosso", "Amizade", "Palavras do Coração", "Cartilha do bem", "Evangelho em Casa", "Deus Aguarda", "Mãe" etc... e, no entanto, tão pouco conhecida pelos testemunhos que teve de dar quando em vida, Irma de Castro - seu nome de batismo - foi um exemplo de resignação ante a dor, que lhe ceifou todos os prazeres que a vida poderia permitir a uma jovem cheia de sonhos e de esperanças. Meimei nasceu em 22 de outubro de 1922, na cidade de Mateus Leme - MG e transferiu residência para Belo Horizonte em 1934, onde conheceu Arnaldo Rocha, com quem se casou aos 22 anos de idade, tornando-se então, Irma de Castro Rocha. O casamento durou apenas dois anos, pois veio a falecer com 24 anos de idade, no dia 01 de Outubro de 1946, na cidade de Belo Horizonte-MG, por complicações generalizadas devidas a uma nefrite crônica.

A Origem da Doença

Durante toda a infância Meimei teve problemas em suas amígdalas. Tinha sua região glútea toda marcada por injeções. Logo após o casamento, voltou a apresentar o quadro, tendo que se submeter a uma cirurgia para extração dessas glândulas. Infelizmente, após a operação, um pequeno pedaço permaneceu em seu corpo, dando origem a todo o drama que viria a ter que enfrentar, pois o quadro complicou-se com perturbações renais que culminaram com hipertensão arterial e craniana.

O Sofrimento

Devido à hipertensão, passou a apresentar complicações oculares, perdendo progressivamente a visão e tendo que ficar dia e noite em um quarto escuro, sendo que nos dois últimos dias de vida já estava completamente cega. Durante os últimos dias de vida, o sofrimento aumentou. Tinha de fazer exames de urina, sangue e punções na medula, semanalmente. Segundo Arnaldo Rocha, seu marido, Meimei viveu esse período com muita resignação, humildade e paciência.

O Desencarne

Os momentos finais foram muito dolorosos. Seus pulmões não resistiram, apresentando um processo de edema agudo, fazendo com que ela emitisse sangue pela boca. Seus últimos trinta minutos de vida foram de desespero e aflição. Mas, no final deste quadro, com o encerramento da vida física, seu corpo voltou a apresentar a expressão de calma que sempre a caracterizou. Meimei foi enterrada no cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.

Surge Chico Xavier

Aproximadamente cinqüenta dias após a desencarnação da esposa, Arnaldo Rocha, profundamente abatido, acompanhado de seu irmão Orlando, que era espírita, descia a Av. Santos Dumont, em Belo Horizonte, quando avistou o médium Chico Xavier. Arnaldo não era espírita e nunca privara da companhia do médium até aquele momento. Quase dez anos atrás haviam-no apresentado a ele, muito rapidamente. Ele devia ter pouco mais de doze anos. O que aconteceu ali, naquele momento, mudou completamente sua vida. E é ele mesmo quem narra o ocorrido: "Chico olhou-me e disse: "Ora gente, é o nosso Arnaldo, está triste, magro, cheio de saudades da querida Meimei"... Afagando-me, com a ternura que lhe é própria, foi-me dizendo: "Deixe-me ver, meu filho, o retrato de nossa Meimei que você guarda na carteira." E, dessa forma, após olhar a foto que Arnaldo lhe apresentara, Chico lhe disse: - Nossa querida princesa Meimei quer muito lhe falar!"

E, naquela noite, em uma reunião realizada em casa de amigos espíritas de Belo Horizonte, Meimei deixou sua primeira mensagem psicografada. E, com o passar dos anos, Chico foi revelando aos amigos mais chegados que Meimei era a mesma Blandina, citada por André Luiz na obra "Entre a Terra e o Céu" (capítulos 9 e 10), que morava na cidade espiritual "Nosso Lar"; disse, também, que ela é a mesma Blandina, filha de Taciano e Helena, que Emmanuel descreve no romance "Ave Cristo", e que viveu no terceiro século depois de Jesus.

Enfim, para concluir, resta apenas dizer que "Meimei" era um apelido carinhoso que o casal Arnando-Irma passou a usar, após a leitura de um conto chamado "Um Momento em Pequim", de autor americano. Ambos passaram a se tratar dessa forma: "Meu Meimei". E, segundo Arnaldo, Chico não poderia saber disso.
(Meimei - expressão chinesa que significa "amor puro")

Materialização de Meimei

"Uma noite, sentimos um delicioso perfume. Intimamente, achei que era o mesmo que Meimei costumava usar. Surpreendi-me quando percebi que o corredor ia se iluminando aos poucos, como se alguém caminhasse por ele portando uma lanterna. Subitamente, a luminosidade extinguiu-se. Momentos depois, a sala iluminou-se novamente. No centro dela, havia como que uma estátua luminescente. Um véu cobria-lhe o rosto. Ergueu ambos os braços e, elegantemente, etereamente, o retirou, passando as mãos pela cabeça, fazendo cair uma cascata de lindos cabelos pretos, até a cintura. Era Meimei. Olhou-me, cumprimentou-me e dirigiu-se até onde eu estava sentado. Sua roupagem era de um tecido leve e transparente. Estava linda e donairosa! Levantei-me para abraçá-la e senti o bater de seu coração espiritual. Beijamo-nos fraternalmente e ela acariciou o meu rosto e brincou com minhas orelhas, como não podia deixar de ser. Ao elogiar sua beleza, a fragrância que emanava, a elegância dos trajes, em sua tênue feminilidade, disse-me: - "Ora, meu Meimei, aqui também nos preocupamos com a apresentação pessoal! A ajuda aos nossos semelhantes, o trabalho fraterno fazem-nos mais belos e, afinal de contas, eu sou uma mulher! Preparei-me para você, seu moço! Não iria gostar de uma Meimei feia!"

Texto de Arnaldo Rocha. Trecho do livro "Chico Xavier - Mandato de Amor


AUTA DE SOUZA - biografia







A poetisa das emoções!

Mãe das dores, senhora da amargura,

Eu vos contemplo o peito lacerado

Pelas mágoas do filho muito amado,

Nas estradas da vida ingrata e dura.

Existe em vosso olhar tanta ternura,
Tanto afeto e amor divinizado,
Que do vosso semblante torturado
Irradia-se a luz formosa e pura;

Luz que ilumina a senda mais
trevosa, Excelsa luz, sublime e
esplendorosa Que clareia e conduz,
ampara e guia.

Senhora, vossas lágrimas tão belas
Assemelham-se a fúlgidas estrelas:
Gotas de luz nas trevas da agonia.

Esses são os versos iniciais do soneto com que Auta de Souza apresentou-se a Chico Xavier, chamado Nossa Senhora da Amargura.

Auta foi poetisa ilustre no Rio Grande do Norte, onde nasceu em 12 de setembro de 1876, na cidade de Macaíba, tendo desencarnado em 07 de fevereiro de 1901 em Natal, com apenas 24 anos.

Sua alma sensível e com grande capacidade para enfrentar sofrimentos, ombreia-se com grandes nomes de nossa literatura, que embora tenham tido uma rápida passagem pela vida, deixaram sua mensagem imorredoura.

Auta de Souza perdeu sua mãe Henriqueta aos 3 anos e seu pai Eloi Castriciano aos 4 anos, tendo sido criada, junto com seus 4 irmãos, pela avó materna, no Recife.

Foi educada em um colégio de religiosas católicas, recebendo uma sólida formação em literatura, inglês, música, desenho e francês, o que lhe permitiu acesso aos grandes nomes da literatura mundial, abrindo seu coração para a arte que melhor expressou seus sentimentos a poesia.

Por hábito de sua educação, lia e conhecia o Evangelho aprimorava seu sentimento religioso que seria fundamental diante dos desafios que a vida lhe reservou.

Sempre foi católica mas seu pensar elevava-se a valores maiores que as convenções humanas.

Aos 14 anos manifestaram-se os primeiros sinais da tuberculose, que lhe seria fatal 10 anos e depois e aos 16 anos, com seu talento poético já consolidado, enamorou-se e após 1 ano, foi convencida a renunciar a esse amor devido ao progresso que a sua doença apresentava.

Na mesma época, em que sua doença se manifestou, assistiu aterrorizada, ao aniquilamento de um irmão, devorado pelas chamas em terrível acidente doméstico.

Embora atingida por tantos fatos dolorosos, sua tristeza não era de revolta e procurava ajudar aos pobres e aos escravos, contando histórias do cristianismo ou de heróis medievais. Sua alma ficou profundamente marcada pela dor, mas sua fé ardente e sua compaixão pelos humildes, equilibraram tudo.

Em 1900 publicou seu único livro, Horto.

Livre de seu corpo, doente e franzino, Auta de Souza pode finalmente, ir conviver com amigos espirituais e tornar-se ativa colaboradora de obras poéticas trazidas à luz pela mediunidade de Chico Xavier, num total de 89 poesias e 27 trovas.

Foi incentivadora, através de mensagens recebidas por Chico Xavier, de grandes campanhas filantrópicas realizadas por espíritas e assim, muitas Casas Espíritas, até hoje, dão seu nome às suas campanhas sociais.

Auta de Souza deixou um legado de coragem e superação das adversidades e ainda nos ilumina com o doce vigor dos seus versos e sua serena paz.


sábado, 13 de novembro de 2010

TODOS DESENCARNAM NA HORA CERTA?


Costumamos ouvir algumas frase como:
“Só peru morre de véspera!”;
"Chegou sua hora, Deus o levou!”
"Puxou a ficha, vai mesmo."
São frases populares fazendo referência ao fato de que ninguém desencarna antes que chegue seu dia.
Piedosa mentira! Na realidade ocorre o contrário. Poucos cumprem integralmente o tempo que lhes foi concedido, ou seja, a maioria desencarna antes da hora. Com raras exceções, o homem terrestre atravessa a existência abusando da máquina física, comprometendo sua estabilidade. Segundo André Luiz, raros os que atingem a condição de “completistas”, isto é, que aproveitam, integralmente, as experiências humanas, estagiando na carne pelo tempo que lhes foi concedido.
DESTRUÍMOS O CORPO FÍSICO DE FORA PARA DENTRO, com vícios, a intemperança, a indisciplina, o álcool, o fumo, o tóxico, os excessos alimentares, tanto quanto a ausência de exercícios, de cuidados de higiene e de repouso adequado, minam a resistência orgânica ao longo dos anos, abreviando a vida física.
DESTRUÍMOS O CORPO FÍSICO DE DENTRO PARA FORA com o cultivo de pensamentos negativos, idéias infelizes, sentimentos desequilibrados, envolvendo ciúme, inveja, pessimismo, ódio, rancor, revolta. Há indivíduos tão habilitados a reagir com irritação e agressividade, sempre que contrariados, que um dia “implodem” o coração em enfarte fulminante. Outros “afogam” o sistema imunológico num dilúvio de mágoas e ressentimentos, depressões e angústias, favorecendo a evolução de tumores cancerígenos.
Tais circunstâncias fatalmente implicarão em problemas de adaptação, como ocorre com os suicidas. Embora a situação dos que desencarnam prematuramente em virtude de intemperança mental e física, seja menos constrangedora, já que não pretendiam a morte, ainda assim responderão pelos prejuízos causados à máquina física, que repercutirão no futuro reencarnatório, impondo-lhes penosas impressões, dando origem a deficiências e males variados que atuarão por indispensáveis recursos de reajuste.
Não somos proprietários de nosso corpo físico. Usamo-lo em caráter precário, como alguém que alugasse um automóvel para longa viagem. Há um programa a ser observado, incluindo roteiro, percurso, duração, manutenção. Se abusamos dele, acelerando-o com indisciplinas e tensões, envenenando-o com vícios, esquecendo os lubrificantes do otimismo e do bom ânimo, fatalmente nos veremos às voltas com graves problemas mecânicos. Além de interromper a viagem, prejudicando o que fora planejado, seremos chamados a prestar contas dos danos provocados num veículo que não é nosso.
No futuro, em nova “viagem”, provavelmente teremos um “calhambeque” com limitações variadas, a exigir maior soma de cuidados, impondo-nos benéficas disciplinas.




Richard Simonetti



CURIOSIDADE: A irmã de Divaldo Franco se suicidou tomando veneno. Reencarnou com lábio leporino, ou seja, adiantou sua desencarnação e teve que reparar o erro.





 

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

EXPIAÇÕES E PROVAS - Richard Simonetti


Qual a diferença entre expiação e prova?

Expiação é o resgate "imposto" pela Justiça Divina a espíritos recalcitrantes (teimosos). Prova é o resgate "escolhido" por espíritos conscientes de seus débitos e necessidades.
Como identificar o espírito em expiação?
Geralmente é o indivíduo que não aceita seus sofrimentos, as situações difíceis que enfrenta, rebelando-se. Atravessa a existência a reclamar do peso de sua cruz.
E o espírito em provação?
Podemos identificá-lo como aquele indivíduo que enfrenta as atribulações da existência de forma equilibrada, aceitando-as sem murmúrios e imprecações. Como um aluno que se submete a exame, tenta fazer o melhor, habilitando-se a estágio superior.
É sempre assim?
Nada é definitivo no comportamento humano, já que exercitamos o livre-arbítrio. Um espírito em provação, que fez louváveis planos para a vida presente, pode refugar o que planejou. Da mesma forma, um espírito em expiação pode experimentar um despertamento da consciência, dispondo-se a enfrentar suas dores com dignidade, buscando o melhor.
Miséria é expiação?
Não é a posição social que determina a natureza das experiências vividas pelo espírito. O homem rico pode estar em processo expiatório, caracterizado por graves problemas. Por outro lado, a extrema pobreza pode ser uma opção do espírito em provação, atendendo a imperativos de sua consciência.
O que há em maior quantidade na Terra: espíritos em provação ou em expiação?
A humanidade é composta por uma maioria de espíritos imaturos, sem o necessário discernimento para planejar experiências. Situando-se nos domínios da expiação.
Dois espíritos vivem a mesma situação aflitiva. Nasceram com grave limitação física. Um está em expiação, outro em provação. O sofrimento é igual para ambos?
Provavelmente aquele que está em provação sofrerá bem menos. Tendo planejado a deficiência que enfrenta, tenderá a aceitá-la melhor. Isso tornará bem mais leve a sua cruz. Rebeldia, inconformação, revolta, desespero, são pesos adicionais que tornam a jornada humana bem mais sofrida.
Quando a Terra deixará de ser um planeta de expiação e provas?
Quando o homem terrestre deixar de ver no Evangelho um mero repositório de virtudes inacessíveis, elegendo-o por roteiro divino para todas as horas, com a invencível disposição de vivenciar seus princípios em plenitude.


Do livro: A força das ideias





segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O PALAVRÃO - Richard Simonetti


1 - Como você define o palavrão?

Um eco das cavernas, o rosnar do troglodita que ainda existe no comportamento humano.

2 - Conheço gente civilizada que diz palavrões.

Destempero verbal, civilidade superficial.

3 - Seria uma educação de fachada?

Sim. Não podemos confundir rótulo com conteúdo. É fácil cultivar urbanidade nos bons momentos. Mostramos quem somos quando nos pisam nos calos ou martelamos os dedos.

4 - Não seria razoável considerar que em circunstâncias assim o palavrão é útil, exprimindo indignação ou amenizando a dor?

Há quem diga que nessas situações ele é mais eficiente do que uma oração.

Só que a oração nos liga ao Céu. O palavrão nos coloca à mercê das sombras.

5 - Mas o que vale não é o sentimento, expresso na inflexão de voz?

Posso fazer carinho com um palavrão ou agredir com palavras carinhosas.

Não me parece do bom gosto demonstrar carinho com palavrões. imagine-se dando uma paulada carinhosa em alguém. Além disso há o problema vibratório.

6 - As palavras têm peso vibratório específico?

Intrinsecamente não. No entanto, revestem-se de magnetismo compatível com o uso que fazemos delas. Há uma vibração sublime, que nos edifica e emociona, a envolver o Sermão da Montanha. Quando o lemos contritos, sintonizamos com a vibração sublime de milhões de cristãos que ao longo dos séculos se debruçaram sobre seus conceitos sublimes, em gloriosas reflexões.

7 - Considerando assim, imagino a carga deletéria que há no palavrão mais usado, em que “homenageamos” a mãe de nossos desafetos.

Sem dúvida, além de nos colocar abaixo do comportamento do troglodita, já que este agredia seus desafetos, não a mãe deles.

8 - Você há de Convir que é difícil abolir o palavrão inteiramente. Há todo um processo de Condicionamento, o ambiente. Lá em casa, por exemplo, ele corre solto.

Isso é relativo. Venho de uma família de italianos da Calábria, um povo que cultua adoidado o palavrão. Alguns tios meus, em situação de irritação extrema, dirigiam impropérios a Deus. Desde cedo, vinculando-me ao Espiritismo, compreendi que esse tipo de linguajar não interessa ao bom relacionamento familiar e muito menos à nossa economia espiritual.

Do Livro: Não Pise na Bola